Em meio ao crescente embate institucional entre o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, e o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Alexandre de Moraes, uma inédita aliança entre autoridades judiciais e lideranças evangélicas ganhou visibilidade significativa nas últimas semanas, mobilizando fiéis em manifestações públicas e na divulgação sistemática de agradecimentos por parte do magistrado, fato que tem sido interpretado como estratégia política por analistas do segmento religioso.
Contexto Institucional e Mobilização Religiosa
A articulação entre o STF e setores evangélicos se consolidou a partir de uma série de gestos simbólicos e operacionais por parte de Mendonça, que, durante o desmembramento do processo que o opôs a Moraes, passou a utilizar plataformas digitais para agradecer orações e manifestações de apoio recebidas em ambientes religiosos, como a Igreja Presbiteriana de Pinheiros, onde atua como pastor auxiliar. A cobertura das atividades do ministro tem sido acompanhada com atenção por líderes de movimentos pentecostais e neopentecostais, que destacam a importância da presença institucional do magistrado como catalisador para a reconsolidação de um eleitorado historicamente fragmentado.
Nos últimos meses, a polarização judicial entre os dois magistrados intensificou-se após decisões conflitantes sobre processos envolvendo figuras próximas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o que gerou reações divergentes: enquanto Moraes adotou postura mais incisiva na abertura de inquéritos e na aplicação de medidas cautelares, Mendonça manteve discurso de imparcialidade, reforçando a independência do Judiciário em pronunciamentos formais que foram reproduzidos em redes religiosas e veículos especializados no segmento.
A mobilização evangélica em torno de André Mendonça conta com o apoio ativo de mais de 300 congregações religiosas em ao menos 18 estados brasileiros, segundo levantamento preliminar da Comissão Nacional da Igreja Evangélica.



