O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acionou seu colega André Mendonça por meio de ação direta que o acusa de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução das operações 'Sem Desconto' e 'Compliance Zero', focando no suposto direcionamento de investigações contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP), com base em relatório de inteligência da Polícia Federal cuja análise foi classificada como de confiança 'baixa' ou 'moderada'.
Contexto Institucional e Fundamentação da Denúncia
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, proferida na quinta-feira (3/9), eleva o embate interno no STF ao nível da denúncia formal, ao considerar que o colega André Mendonça teria utilizado procedimentos investigativos irregulares para perseguir alvos estratégicos, entre eles o presidente do Senado Davi Alcolumbre, com base em material obtido pela Polícia Federal que, segundo o próprio órgão, não possui validade probatória. O relatório em questão, elaborado por um analista da PF sem cabeçalho oficial nem assinatura de delegados e marcado como 'difusão restrita', foi classificado com grau de confiança 'baixo', mas foi tratado por Moraes como fato consumado, configurando, segundo o ministro, indícios suficientes para a abertura de inquérito por crimes graves.
Nos fundamentos da decisão, Moraes destacou que a PF identificou uma série de condutas suspeitas envolvendo o ministro André Mendonça, como a priorização de apurações contra Alcolumbre e a exigência de acesso total às mensagens do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, sem respaldo em elementos concretos. A própria PF ressaltou que tais informações careciam de maior consistência, já que eram baseadas em relatos anônimos e careciam de documentação formal, contrariando a interpretação do ministro de que se tratava de conduta firme e legalmente justificada.
A denúncia acusa o ministro André Mendonça de usar procedimentos investigativos sem respaldo probatório para perseguir alvo estratégico: o presidente do Senado Davi Alcolumbre.
Repercussão Jurídica e Consequências Imediatas
A notificação gerou reação imediata por parte do Ministério Público Federal (MPF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que acionaram os órgãos competentes para avaliar a legitimidade da denúncia com base no princípio da legalidade e na necessidade de comprovar efetiva violação à ordem constitucional. Autoridades jurídicas consultadas destacaram que a acusação depende da demonstração concreta de abuso de poder, já que a mera divergência interpretativa entre ministros não configura crime sem provas robustas.
Especialistas em direito administrativo apontam que, se confirmada a improbidade, Mendonça poderá enfrentar processo disciplinar no CNJ ou até ação penal por crime de responsabilidade, enquanto o STF já sinalizou que eventuais irregularidades serão apuradas em sede própria, reforçando a necessidade de transparência nas investigações conduzidas por autoridades ministeriais.



