Um levantamento do Instituto Sou da Paz, publicado entre 2018 e 2025, revelou que o Comando Vermelho utilizou parte de seu arsenal de fuzil composto por cartuchos originalmente adquiridos pelo Exército Brasileiro e outras instituições de segurança pública, evidenciando um sério desvio de material estatal destinado ao tráfico organizado.
Desvio de Material Estatal e Evidências da Falha no Controle
O estudo analisou 31.699 cartuchos vinculados ao Comando Vermelho em 29 processos judiciais, dos quais 31.205 foram fabricados no Brasil; 40,9% dessa produção tinha rastreabilidade institucional, indicando origem estatal, mas apenas 34 dos 119 códigos identificados permitiram associá-los a compradores originais, com 85 casos em que o destinatário legal permanece incerto.
Antecedentes e circunstâncias revelam que o sistema de marcação da munição, previsto para garantir o controle do material adquirido por órgãos públicos, sofre com restrições de acesso e baixa operacionalização nas investigações, conforme destacado pelo consultor sênior Bruno Langeani do Instituto Sou da Paz.
Apenas 34 dos 119 códigos de rastreabilidade identificados foram associáveis ao comprador original, evidenciando falha crítica na gestão do material estatal.
Repercussão Jurídica e Desafios na Rastreabilidade
A demora no atendimento à solicitação de acesso à informação protocolada em 2023 pelo Instituto Sou da Paz — que permaneceria parcialmente não processada mais de três anos depois — compromete a apuração e a responsabilização por corrupção envolvendo desvio de munições públicas.
Segundo Langeani, a ausência de transparência nos dados impede mapear com precisão os pontos de desvio e fragiliza esforços para coibir a proliferação de armamento no crime organizado, exigindo urgente reforma nos protocolos de rastreamento e acesso à informação.



