Na manhã de 4 de setembro, a Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) efetuou a apreensão de um filhote de jacaré escondido dentro de uma sacola na caçamba de uma Volkswagen Saveiro azul, em Imbariê, bairro de Duque de Caxias (RJ), após receber denúncias anônimas sobre a comercialização irregular de fauna silvestre na região metropolitana do estado.
Contexto Institucional e O peracional da Intervenção
A operação, conduzida pela 66ª Delegacia Policial (Piabetá), resultou na abordagem de dois indivíduos que transitavam em um veículo adaptado para transporte de carga, nos arredores do núcleo residencial em que o animal foi localizado. As investigações preliminares apontam que o filhote, com aproximadamente dois meses de idade, encontrava-se em condição precária, carecendo de vigilância térmica e hidratação adequada, situação agravada pela ausência de estrutura sanitária no local da apreensão.
O episódio se insere no quadro mais amplo de fiscalização ambiental e combate ao tráfico de fauna silvestre praticado por organizações criminosas na Baixada Fluminense, onde, em junho do mesmo ano, foram identificados lagos improvisados com múltiplos filhotes de jacaré em Belford Roxo, durante diligências judiciais contra membros das facções Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP).
Um filhote de jacaré era transportado em uma sacola na caçamba de uma Saveiro azul apreendida pela PCERJ em Duque de Caxias.
Repercussão Técnica e Desdobramentos Jurídicos
A ação foi coordenada pelo delegado responsável pela 66ª DP, com apoio tático do Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro (CBMERJ), que assumiu a responsabilidade pelo resgate e encaminhamento do animal a um centro especializado em vida silvestre, visando garantir sua sobrevivência e posterior reintrodução ao habitat natural.
As autoridades competentes indicaram que os envolvidos responderão por crime ambiental previsto no Código Penal (Art. 57-A) e pela Lei Federal nº 12.305/2010 (Estatuto da Fauna Silvestre), com penas que podem chegar a quatro anos de reclusão e multa milionária, conforme jurisprudência consolidada.
O caso reforça a necessidade de ampliar as operações integradas entre órgãos ambientais, policiais e emergenciais, dado o padrão de adaptação utilizada pelos criminosos para evadir à fiscalização.



