Na manhã de quarta-feira, 26 de março de 2026, o delegado John Allan Cunha Castilho e o investigador Diego Gabriel Rodrigues de Araújo, ambos vinculados à Polícia Civil do Amazonas, foram detidos preventivamente em Manaus, em desdobramento da operação que apura o roubo de R$ 800 mil e 30 kg de ouro em Boa Vista, crime investigado como parte de uma trama que já identificou oito envolvidos e provocou prejuízo superior a R$ 23 milhões ao estado.
Contexto Institucional e Desenvolvimento da Apuração
A operação coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas O rganizadas (Draco) da Polícia Civil de Roraima, em articulação com a Corregedoria-Geral de Polícia do Amazonas (Corregepol), desvendou um esquema complexo de fraude processual e uso indevido de viatura oficial, iniciado após a prisão do influenciador Ivan Luiz Bastos Guimarães, conhecido como "Itz Ivan", em Florianópolis. Segundo apurações, o grupo articulava a simulação de abordagens policiais para executar golpes contra garimpeiros e compradores, com o objetivo duplo de subtrair cargas de ouro e valores em espécie durante negociações irregulares no setor aurífero.
Antecedentes revelam que o delegado John Castilho, primo do investigador Ivan Luiz, foi acionado para integrar o plano após o primeiro informar a quantia de ouro prevista para negociação. O investigador Diego Araújo foi recrutado para atuar como executor da ação, enquanto o investigador Marcelo Henrique Sobral, da Polícia Civil de Roraima, colaborou na logística da emboscada. A utilização de viatura descaracterizada, distintivos falsos e armamento legalizou a simulação policial que culminou na tentativa de roubo dentro da residência do influencer na zona leste de Manaus.
A trama defraudou o Estado em mais de R$ 23 milhões, incluindo o roubo de R$ 800 mil e 30 kg de ouro durante operação simulada na casa do influenciador em Manaus.
Repercussão Jurídica e Medidas Preventivas
A Justiça determinou o bloqueio cautelar de aproximadamente R$ 20 milhões em bens imóveis e financeiros dos investigados, medida que visa inibir a dissipação dos recursos ilícitos apurados pela Corregedoria e pelo Ministério Público Federal. O procedimento disciplinar instaurado contra Marcelo Sobral pela Corregedoria-Geral de Polícia pode culminar em sanções internas que incluem a demissão e perda da função pública, em razão da conduta fraudulenta que envolveu manipulação processual e uso abusivo da autoridade policial.
O s demais envolvidos — incluindo a esposa e cunhada do investigador Marcelo Sobral — respondem ao comando judicial sob medida cautelar ou prisão preventiva, enquanto a Polícia Federal e o Grupo de Atuação Especial (Gaeco) continuam coordenando apurações que devem resultar em novos mandados e eventuais acordos colaborativos para desmanchar a rede.



