O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, concluiu nesta semana uma visita oficial ao trio de nações andinas — Colômbia, Equador e Peru — que formam um corredor estratégico e historicamente vulnerável à influência do narcotráfico transnacional, em movimento de realinhamento geopolítico que sinaliza uma nova fase de cooperação de segurança entre Washington e governos latino-americanos dispostos a combater estruturas criminosas com intensidade sem precedentes.
Reconfiguração da Aliança Estratégica no Andino Sul-Americano
A visita de Rubio se insere em um contexto de profunda transformação nas relações sul-americanas com os Estados Unidos, após o governo colombiano, sob o comando de Abelardo De La Espriella — eleito em junho após derrota do petismo — ter rompido com a postura crítica de Gustavo Petro e retomado a parceria estratégica com Washington, assinando acordos para modernização militar, mineração e cooperação nuclear civil, além da adesão ao Escudo das Américas, iniciativa lançada por Trump em março para combater cartéis e organizações narcoterroristas.
O Equador, palco de uma das mais dramáticas escaladas de violência em seu histórico recente, registrou mais de 9 mil mortes violentas em 2025 e consolidou-se como plataforma logística para organizações criminosas transnacionais que operam entre os maiores produtores mundiais de cocaína; nesse cenário, Rubio anunciou compromisso de US$ 65 milhões em apoio à segurança equatoriana, incluindo o envio de um navio-patrulha da Guarda Costeira e cinco lanchas interceptoras, além da promessa de novos recursos orçamentários para combater mineração ilegal, recrutamento por gangues e fluxos financeiros ilícitos.
Mais de 9 mil mortes violentas foram registradas no Equador em 2025 em contexto de guerra entre gangues e expansão do narcotráfico transnacional.
Repercussões Institucionais e Desdobramentos Geopolíticos
As declarações de Rubio em Quito reforçaram a classificação da gangue Los Tiguerones como organização terrorista estrangeira e impuseram sanções a sete ex-funcionários equatorianos acusados de corrupção, ao mesmo tempo em que confirmaram a efetividade de operações conjuntas entre agentes norte-americanos e equatorianos no combate ao tráfico marítimo.
No Peru, onde Keiko Fujimori assumiu a Presidência após vitória apertada com 50,135% dos votos, o país foi formalmente incorporado ao Escudo das Américas, com compromissos anunciados que incluem cooperação em defesa, inteligência e combate ao crime organizado transnacional, apesar da persistência de 84.546 hectares de cultivo de coca em 2025.


