O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), articula com lideranças partidárias a apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para alterar a forma como deputados federais são eleitos no Brasil. A intenção é avançar com a votação da matéria ainda em 2026, com relatoria prevista do deputado Domingos Neto (PSD-CE) em plenário.
Atualmente, o país adota o sistema proporcional de lista aberta, no qual votos individuais e de partido são somados para definir o número de cadeiras por legenda. Esse modelo permite que candidatos com votações expressivas, conhecidos como puxadores de votos, ajudem a eleger colegas de partido com menos sufrágios.
No modelo de voto distrital misto em discussão, metade das cadeiras seria preenchida por candidatos eleitos diretamente em distritos eleitorais e a outra metade distribuída proporcionalmente aos partidos por meio de listas partidárias. O eleitor teria dois votos: um para o representante do distrito e outro para a legenda preferida.
O texto também prevê uma possível fase de transição pelo chamado distritão em 2030, onde apenas os candidatos mais votados individualmente conquistariam as vagas, antes da implementação definitiva do sistema misto em 2034. A mudança não elimina a influência das legendas, pois as cadeiras das listas partidárias seguirão dependendo do desempenho dos partidos.
O debate divide as forças políticas no Congresso. Partidos do Centrão, como PP, União Brasil, PSD e Republicanos, apoiam a proposta, enquanto PL e PT manifestam resistência. Os presidentes do PSDB, Aécio Neves, e do PSD, Gilberto Kassab, são apontados como principais defensores da mudança.



