Na quinta-feira (29), a Binance, maior exchange de criptomoedas do mundo, teve mais de US$ 6 bilhões drenados de seu sistema em aproximadamente 20 minutos. Cerca de metade desse valor estava vinculado a stablecoins, que foram rapidamente congeladas pelas empresas emissoras, enquanto os demais fundos, atrelados a tokens como bitcoin e ether, são considerados provavelmente irrecuperáveis por pesquisadores do setor.
Embora as perdas possam ultrapassar US$ 3 bilhões, representando uma pequena fração dos US$ 155 bilhões em ativos totais de usuários da plataforma, o valor supera o fundo de emergência de US$ 1 bilhão reservado pela Binance. A empresa se comprometeu a cobrir os prejuízos com essas reservas e outros ativos, afirmando que "os fundos dos usuários estão seguros".
O incidente ocorreu poucas horas após uma violação menor na Polymarket, mercado de previsões baseado em criptoativos, onde cerca de 700 usuários perderam US$ 2,7 milhões em saques não autorizados. A Binance suspendeu depósitos e saques imediatamente após detectar o ataque.
Especialistas alertam que a dependência de congelamentos emergenciais e promessas de reembolso não é uma estratégia eficaz a longo prazo. Ryan Kirkley, CEO da Global Settlement Network, afirmou que a solidez financeira da exchange não deve ser confundida com segurança operacional, especialmente em um setor que busca atrair capital institucional.
A falta de rígidas regulamentações torna exchanges centralizadas alvos atraentes para hackers. Além disso, pesquisadores da Chainalysis observaram padrões inéditos de lavagem de dinheiro no ataque, sugerindo o uso de automação para obscurecer o rastro dos fundos por meio de milhares de transações em curto período.


