Empresas chinesas que já construíram robôs humanoides capazes de correr, dançar e fazer cambalhotas estão agora focadas em desenvolver a inteligência artificial necessária para tornar essas máquinas úteis em uma variedade maior de trabalhos. Esse movimento impulsiona o boom da IA incorporada, área que cria softwares para que robôs entendam o ambiente, aprendam tarefas desconhecidas e se adaptem sem programação específica para cada função. De acordo com a empresa de pesquisa ITjuzi, companhias chinesas do setor captaram 93,5 bilhões de yuans, equivalente a R$ 76,4 bilhões, em 322 negócios no primeiro semestre de 2026, valor cinco vezes superior ao registrado no ano anterior.
Com a queda nos preços do hardware impulsionada pela concorrência, fabricantes concluíram que a margem de lucro virá da inteligência e não do equipamento físico, segundo Dermot McGrath, fundador da consultoria ZenGen Labs, com sede em Xangai. Startups chinesas como X Square, Galaxea e Spirit AI alcançaram avaliações de cerca de US$ 3 bilhões cada. A UBTech anunciou vaga para cientista-chefe com remuneração de até 124 milhões de yuans, enquanto a Unitree conta com cerca de 30 pesquisadores desenvolvendo IA para prever o comportamento de objetos. Para treinar esses sistemas, as empresas usam abordagens variadas: a Spirit AI contratou cerca de 1.000 pessoas para registrar atividades cotidianas e industriais, a ACE Robotics emprega sensores vestíveis em trabalhadores de lojas e hotéis, e a DexForce utiliza ambientes gerados por computador para preparar tarefas industriais em seis a oito horas.


