O colapso do Ueno Bank, banco digital que atendia cerca de 3 milhões dos 6,46 milhões de paraguaios e administrava US$ 800 milhões em recursos públicos de fundos de previdência, abalou a confiança do empresariado brasileiro no país vizinho. A crise envolve uma simulação de venda de carteiras de créditos no valor de US$ 74,4 milhões para mascarar um rombo patrimonial, levando à renúncia do presidente Santiago Peña e do então chefe do Banco Central, Carlos Carvallo Spalding.
Segundo Fabio Fustagno, presidente da Câmara de Comércio Paraguai-Brasil, as reuniões com interlocutores locais revelaram não temor, mas sim uma profunda decepção diante da instabilidade. O especialista em geopolítica Philipe Moura classifica o cenário como um "banho de realidade", alertando para o impacto na imagem do país, embora avalie que os riscos sistêmicos para empresas brasileiras sejam baixos, uma vez que estas não mantinham depósitos significativos na instituição.
Enquanto o Banco Central do Paraguai defende que se trata de um caso pontual e que o sistema financeiro permanece sólido, os investidores brasileiros optam por não abandonar suas operações no local. O setor agora aguarda a decisão do Congresso sobre o processo de impeachment ou a aceitação da renúncia presidencial para avaliar se as instituições conseguirão restaurar a confiança e fortalecer a nação.



