A Orplana, que reúne 35 associações e representa cerca de 12,5 mil produtores de cana-de-açúcar, acompanha as discussões sobre mudanças na jornada de trabalho e pede que as particularidades do calendário agrícola sejam respeitadas na regulamentação, especialmente nos períodos de safra. A entidade defende maior flexibilidade na realização de horas extras para atender às demandas sazonais do campo e das unidades industriais, diante da dificuldade de contratação e retenção de trabalhadores no agronegócio.
Para reduzir a dependência da mão de obra humana, a Orplana aponta a automação e a robotização como alternativas para aumentar a eficiência operacional. A proposta envolve transferir atividades desgastantes do campo para equipamentos autônomos, como tratores para aragem, gradagem e colheita, além de robôs para aplicação direcionada de herbicidas, mantendo os trabalhadores em funções de monitoramento e controle.
Entre os equipamentos citados pela entidade estão robôs com câmeras e painéis solares capazes de identificar plantas daninhas e realizar aplicações direcionadas, com custo que pode chegar a R$ 350 mil e capacidade para atender áreas superiores a 100 hectares. Tecnologias desenvolvidas por empresas em parceria com fabricantes como a John Deere também são mencionadas para ampliar a operação autônoma de tratores, embora o alto custo de aquisição e as condições de financiamento ainda limitem a disseminação dessas soluções no Brasil.
Outro ponto levantado pela Orplana é a tributação das bebidas açucaradas pelo Imposto Seletivo, conhecido como imposto do pecado. Embora o açúcar esteja incluído na cesta básica nacional, bebidas que utilizam o produto como matéria-prima podem sofrer tributação adicional, o que pode levar a indústria a reduzir a quantidade de açúcar nas formulações.
"Qualquer redução na demanda impacta o setor, mas as exportações seguem em alta e mercados da África e da Ásia continuam apresentando crescimento no consumo de açúcar, o que pode compensar parte da retração no Brasil e também de outros compradores internacionais, como Europa e Estados Unidos", avalia José Guilherme Nogueira, diretor da entidade.
A rentabilidade dos produtores também preocupa a organização. Segundo a Orplana, a produção de cana apresenta prejuízo médio de aproximadamente R$ 3 mil por hectare na safra atual, pressionada pelo aumento dos gastos com fertilizantes, lubrificantes, diesel e transporte. O encarecimento do frete elevou ainda o custo de entrega de insumos como calcário e gesso.
Para reduzir a exposição dos fornecedores aos riscos da atividade, a entidade defende o fortalecimento do seguro rural. Na avaliação da Orplana, o orçamento de aproximadamente R$ 1 bilhão destinado à subvenção ao seguro é insuficiente para ampliar a proteção dos produtores; Nogueira calcula que seriam necessários mais de R$ 3 bilhões para oferecer uma cobertura mais abrangente.



