A morte de Mariana dos Santos Candido, de 41 anos, após complicações decorrentes de perfuração intestinal durante procedimento de colonoscopia realizado no Hospital Municipal Professor Doutor Alípio Corrêa Netto, em Ermelino Matarazzo, no dia 28 de julho, reacende debate sobre os riscos operatórios de exames endoscópicos e a necessidade de protocolos de segurança em unidades de saúde do SUS.
Contexto Institucional e Investigação em Curso
O caso foi formalmente registrado como morte suspeita na 62ª Delegacia de Polícia (DP) de Ermelino Matarazzo, com as investigações policiais coordenadas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) e apoio técnico da Justiça para apurar responsabilidades no âmbito do Hospital Municipal. O laudo pericial do Instituto Médico-Legal (IML) confirmou que a vítima sofreu lesão íntegra no cólon devido à perfuração durante a colonoscopia, com subsequente laparotomia exploradora que acarretou danos ao 50% do intestino, infecção sistêmica envolvendo pulmão e rins, e óbito por coma induzido e parada cardiorrespiratória, conforme atestado da tia da paciente, Mara Pongelupi.
A perícia revelou ausência de registro prévio de preparação adequada para o procedimento, além da inexplicável demora na condução da endoscopia, que gerou preocupação entre os acompanhantes — a mãe e a filha menor de idade — que aguardaram por seis horas antes da cirurgia emergencial. A família relata que a paciente havia manifestado temor no dia anterior ao exame, e que o histórico familiar de câncer colorretal indicava a necessidade de rastreamento precoce, embora o exame não estivesse previamente programado.
50% do intestino de Mariana foi danificado durante procedimento endoscópico no Hospital Municipal Professor Doutor Alípio Corrêa Netto, culminando em óbito por infecções sistêmicas e parada cardiorrespiratória.
Repercussão Legal e Desafios na Gestão da Qualidade Assistencial
A SSP confirmou que as investigações seguem com foco na apuração das responsabilidades técnicas e operacionais do Hospital Municipal, com possibilidade de responsabilização criminal ou administrativa caso se comprove falha nos protocolos de segurança ou na execução do exame. A Justiça já determinou o afastamento temporário do médico responsável pelo procedimento, enquanto o Ministério Público analisa denúncia para eventual abertura de inquérito por homicídio culposo.
Especialistas em gastroenterologia apontam que complicações como perfurações intestinais durante colonoscopia são raras — ocorrendo em cerca de 1 a 2 por mil procedimentos — mas podem ser fatais quando há atraso no diagnóstico ou inadequação na gestão pós-operatória. O caso deve gerar revisão dos fluxos assistenciais no SUS e pressionar por maior transparência nos laudos periciais divulgados publicamente.



