A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos passou a compor o cenário de preocupações dos mercados financeiros, que já lidam com os efeitos da guerra no Irã e com o avanço da inteligência artificial. Segundo reportagem, embora a reação inicial tenha sido modesta, com ações em alta na Europa e recuperação do dólar, os investidores se preparam para a continuidade da volatilidade nos próximos dias.
A atenção se volta especialmente para dois pontos: o desfecho do conflito no Irã, que ajudou a elevar os preços do petróleo em 70% neste ano, e o debate sobre os gastos fiscais americanos. Mike Bell, chefe de estratégia de mercado da RBC BlueBay Asset Management, afirmou que "as maiores implicações potenciais para o mercado poderiam ocorrer se, com as eleições de meio de mandato já superadas, o presidente (Donald Trump) decidir intensificar o conflito no Oriente Médio".
Conforme a guerra persiste, o petróleo segue acima de US$100 por barril, pressionando os custos de combustíveis para consumidores e empresas. Os bancos centrais monitoram o risco de um efeito cascata nos preços, que poderia exigir juros mais elevados. Na zona do euro, a inflação anual subiu para 4% em outubro, o maior patamar em três anos, reforçando as expectativas de alta de taxa pelo Banco Central Europeu em dezembro.
Outro foco é a possível regulação mais rígida da inteligência artificial pelo Congresso controlado pelos democratas. Pesquisas indicam que eleitores democratas defendem maior controle sobre o setor. Seema Shah, estrategista-chefe global da Principal Asset Management, destacou que quem estiver no governo buscará apoiar a expansão da IA ao mesmo tempo em que respeita preocupações com acessibilidade.
A dívida pública dos Estados Unidos, que ultrapassou recentemente US$40 trilhões, também pesa nos rendimentos dos Treasuries. Analistas expressaram alívio pelo fato de que a promessa de Trump de distribuir cheques de US$5.000 aos adultos americanos não se concretizará. O Congresso adiou para 11 de dezembro a definição sobre o financiamento do ano fiscal de 2027.



