Na quinta-feira (17/9), o porta-voz da chancelaria chinesa, Guo Jia-kun, afirmou que a China defende a não interferência em assuntos internos e deseja que as eleições brasileiras tenham uma conclusão bem-sucedida, em declaração publicada em contexto de tensões diplomáticas geradas por críticas dos Estados Unidos ao governo brasileiro.
Contexto Institucional e Histórico da Declaração Chinesa
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, reiterou na semana anterior o compromisso do país com a soberania nacional, em resposta às acusações de Washington de que o Brasil teria colaborado para burlar as tarifas impostas pelos EUA, movimento este que pode afetar negociações comerciais em andamento entre os dois blocos econômicos.
A visita do assessor especial Celso Amorim à Pequim, ocorrida na quarta-feira (16/9), antecedeu a entrega de carta presidencial de Lula ao presidente Xi Jinping, na qual o mandatário brasileiro destacou a evolução qualitativa das relações bilaterais, caracterizando-as como uma 'comunidade com um futuro compartilhado', enquanto o governo americano mantém posições conflitantes sobre o combate ao crime organizado no território brasileiro.
A China reiterou seu princípio da não interferência e desejou que as eleições brasileiras tenham uma conclusão bem-sucedida.
Repercussão Diplomática e Estratégica no Contexto Eleitoral
O governo dos Estados Unidos, sob a administração Trump, acusou o Brasil de servir de canal para que a China burlar as tarifas norte-americanas, baseando-se em críticas de Lula ao combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), organizações classificadas como terroristas pelo Departamento de Estado.
O Ministério das Relações Exteriores da China sinalizou que o presidente Lula deve reafirmar a política de não intervenção estrangeira em seu discurso na Assembleia Geral da O NU, prevista para setembro, como forma de fortalecer a independência do processo eleitoral brasileiro diante de possíveis tentativas de influência externa.



