O primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, afirmou nesta quinta-feira (1º de outubro) que o país não será utilizado como ponto de partida para ataques contra vizinhos da região após a retirada das tropas norte-americanas, encerrando uma ocupação militar que durou cerca de 12 anos e simbolizando a reconquista da soberania nacional em meio à transição para um novo capítulo geopolítico.
Contexto Histórico e Estratégico da Despedida Militar
A retirada das últimas tropas dos Estados Unidos do Iraque, efetivada em 30 de setembro, encerrou uma presença militar que se iniciara em 2014, quando os EUA lideraram uma coalizão internacional para combater o avanço do Estado Islâmico (ISIS) no território iraquiano e sírio. Durante mais de uma década, as forças norte-americanas atuaram ao lado de parceiros locais e milícias xiitas apoiadas por Teerã, em um esforço complexo de segurança que mesclava combate ao terrorismo com dinâmicas de poder regional. O governo de Bagdá celebrou a conclusão da missão como marco histórico de soberania plena, enquanto a comunidade internacional aguarda definições claras sobre a estabilidade futura do país.
Nos bastidores da negociação que culminou com a saída total das tropas americanas, acordos firmados em 2024 obrigaram o Iraque a iniciar um processo estruturado de desarmamento de facções e milícias apoiadas por Teerã. Em troca, integrantes dessas organizações são convocados a integrar as forças de segurança nacional, numa tentativa de monopolizar o monopólio da violência estatal e evitar a fragmentação armamentista que ameaça a coesão interna.
O Iraque assegura que não permitirá o uso de seu território como base para ataques contra países vizinhos após a retirada total das tropas americanas.
Repercussão Política e Desafios da Implementação do Desarmamento
Autoridades iraquianas, incluindo o primeiro-ministro Ali al-Zaidi, reforçaram o compromisso com o desarmamento como condição essencial para legitimidade internacional e integração no sistema regional, enquanto grupos como a Resistência Islâmica do Iraque (IRI) rejeitam entregar as armas, alegando garantias insuficientes quanto à proteção de seus membros e autonomia estratégica.
Especialistas apontam que a transição exigirá mecanismos robustos de monitoramento e garantias diplomáticas, dada a resistência de milícias xiitas que somam entre 50 mil e 70 mil combatentes, além da necessidade de equilibrar relações com Teerã e os EUA sem comprometer a neutralidade do Estado iraquiano.



