A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma reorganização imediata dos poderes em Brasília, marcada por paradoxos e pragmatismo. No campo adversário, a fuga de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos causou um abalo nas alianças que sustentaram o senador no segundo turno e acelerou o distanciamento de aliados, promovendo o rearranjo da direita.
Do outro lado, Lula articula a formação do quarto governo, enfrentando a pressão por um plano econômico e a necessidade de acomodar aliados derrotados nas urnas e um centrão que rapidamente retornou ao Palácio do Planalto. O mercado reagiu ao período de incerteza, fechando a semana com dólar e juros mais altos, à espera do nome do próximo ministro da Fazenda.
No Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB), antes vistos como fora do jogo para a próxima legislatura, agora contam com apoios do centro e da direita. Há até uma aproximação impensável do PL com esses nomes, pelo menos na Câmara dos Deputados. O texto aponta que o novo equilíbrio de forças a partir de 2027 ainda é incerto, mas que a política não espera nem se lamenta pela cadeira vazia deixada por Flávio Bolsonaro.



