A Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF) enviou, na quinta-feira (17/9), ofício ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, no qual se posiciona contra a alegação de que a ausência de repasse da União para o Banco de Brasília (BRB) decorre de impedimentos jurídicos ou fiscais, argumentando que a resistência institucional tem origem em decisão política. A PGDF reforça que o BRB não é patrimônio de partido ou governadora, mas bem público de Brasília, e que a crise financeira do banco está ligada ao escândalo do Caso Master, que abalou a instituição. O documento enfatiza que a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre não repassar recursos "não foi feita em ato de governo, entrevista ou manifestação institucional, mas em comício", destacando o caráter político da declaração.
Lula afirmou em comício em Ceilândia (DF), em 16/9, que não destinará recursos da União ao BRB, alegando crise financeira desde o escândalo do Caso Master
Setor produtivo pede diálogo e Celina Leão busca aporte externo
Enquanto o setor produtivo do Distrito Federal clama por "cooperação harmoniosa" na negociação sobre o futuro do BRB, o banco garantiu que os salários dos empregados serão mantidos mesmo em caso de mudança no controle acionário. A governadora Celina Leão (PP) confirmou que não há pedido formal de recursos ao governo federal para salvar a instituição e anunciou reunião com investidores do Emirados Árabes para viabilizar aporte privado ao banco. Em pronunciamento nas redes sociais, Celina rebateu a acusação de que está usando o BRB como "arma eleitoral", afirmando que "ninguém está pedindo dinheiro ao governo federal" e que a instituição é "um patrimônio de Brasília".
O embate entre os poderes e os interesses políticos sobre o destino do BRB evidencia tensões entre a gestão federal, a administração local e os impactos sociais da crise bancária. A PGDF insiste na necessidade de afastar decisões políticas da gestão do banco, enquanto Lula mantém posição firme: sem recurso público, o BRB seguirá à beira do abismo financeiro.



