Uma ala do Palácio do Planalto defende que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faça uma sinalização mais concreta ao mercado financeiro antes de embarcar para a COP31, na Turquia. Para esses aliados, o gesto deve ir além do pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão previsto para este domingo (8).
Entre as possibilidades discutidas por interlocutores, está a indicação do vice-presidente Geraldo Alckmin para comandar o Ministério da Fazenda. A escolha é vista como uma forma de transmitir confiança ao setor financeiro e sinalizar os rumos da política econômica do próximo mandato.
A eventual indicação de Alckmin, que completa 74 anos neste sábado (7), foi descrita por um interlocutor como um “lindo presente de aniversário”. Outros nomes cotados para a pasta incluem o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, e Dario Durigan, cuja permanência não está descartada.
Lula, no entanto, tem resistido publicamente à ideia de antecipar o anúncio do futuro ministro da Fazenda. O presidente indicado pretende apresentar os nomes da equipe econômica apenas após retornar da viagem internacional.
Além da agenda econômica, a viagem à Turquia e às Filipinas é vista pelo entorno presidencial como uma oportunidade para fortalecer a interlocução com o Congresso Nacional. Lula convidou os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, para acompanhá-lo nas agendas internacionais.
A aproximação com Alcolumbre é considerada especialmente relevante para o futuro da indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, ao Supremo Tribunal Federal. O nome de Messias foi rejeitado pelo Senado em abril deste ano, por 42 votos contrários e 34 favoráveis.
Aliados acreditam que a viagem pode ajudar Lula a reconstruir a relação com Alcolumbre e preparar o terreno para uma nova tentativa de indicação de Messias. Há preocupação de que a renovação do Senado em 2027 altere a correlação de forças e dificulte ainda mais a articulação do governo.
