O PL considera uma estratégia para evitar traições na disputa pela Presidência do Senado: expor as cédulas às câmeras antes de depositá-las na urna. Como a votação é secreta, senadores que se recusarem a mostrar o voto seriam interpretados pelo grupo como não apoiadores do candidato Rogério Marinho (PL-RN).
A medida contraria o artigo 60 do Regimento Interno do Senado, que determina escrutínio secreto para a eleição dos membros da Mesa. O assunto pode ser levado ao Supremo Tribunal Federal antes da votação, com base no Código de Ética da Casa, que prevê perda temporária do mandato pelo descumprimento da regra.
Em 2019, na primeira eleição de Davi Alcolumbre, pelo menos 29 senadores exibiram votos ou declararam publicamente em quem votaram, entre eles Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sem consequências. O cenário, porém, mudou: para 2027, o PL terá 29 senadores próprios, enquanto Alcolumbre precisará de apoios além da bancada de direita para se eleger.
O texto aponta ainda que cobranças populares contra ministros do Supremo podem dificultar a reeleição de senadores que apoiarem Alcolumbre, já que ele afirmou que não adotará medidas contra a Corte. Nesse contexto, a possibilidade de votos divergentes aparece como principal vantagem do candidato à presidência.
