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Política

Julgamento de Bolsonaro no STM deve ser presidido por ministro indicado pelo ex-presidente

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 04:15
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Julgamento de Bolsonaro no STM deve ser presidido por ministro indicado pelo ex-presidente
Fatos Rápidos da Notícia
  • Julgamento sobre perda de posto e patente deve ocorrer sob presidência do ministro indicado por Bolsonaro
  • Casos devem ser julgados somente no próximo ano
  • Presidente do STM define data dos julgamentos mas não vota exceto em empate
Resumo Editorial

O Superior Tribunal Militar deve analisar apenas no próximo ano os pedidos de perda de posto e patente de militares condenados pelo STF, incluindo Jair Bolsonaro, com a presidência da corte provavelmente sob o comando de Leonardo Puntel, almirante indicado pelo ex-presidente em 2020.

O julgamento sobre a perda de posto e patente dos militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado, entre eles Jair Bolsonaro, deve ocorrer sob a presidência de Leonardo Puntel, almirante de esquadra da Marinha indicado pelo ex-presidente para o cargo de ministro do Superior Tribunal Militar em 2020.

Os casos devem ser julgados somente no próximo ano, segundo integrantes da corte avaliam que alguns processos ainda dependem de medidas solicitadas pelas defesas e que não haverá tempo hábil para os ministros prepararem seus votos e discutirem a matéria em plenário antes do recesso judiciário, que começa em 20 de dezembro.

Em meados de dezembro, o plenário do STM deve realizar a eleição do novo presidente da corte. O mandato de Maria Elizabeth Rocha, atual presidente, acaba no início de 2027. Embora seja formalizada por meio de votação, a escolha da presidência segue na prática um sistema de rodízio entre ministros militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, além dos ministros civis. Pela tradição, Puntel é o próximo a assumir o comando do tribunal.

O presidente do STM será responsável por definir a data dos julgamentos, mas não participa da votação dos casos, exceto em situações de empate. Com isso, o voto de Puntel será substituído pelo de Maria Elizabeth Rocha. A ministra já se manifestou de forma contundente sobre as tentativas de golpe de Estado, os atos de 8 de janeiro de 2023 e a responsabilidade de militares envolvidos em movimentos de ruptura democrática.

Em declarações públicas, Maria Elizabeth afirmou que os ataques às sedes dos Três Poderes foram resultado de um processo gradual de tolerância a comportamentos antidemocráticos que deveriam ser considerados intoleráveis. A ministra também já classificou a participação de militares em tentativas de ruptura institucional como uma traição à Constituição. Maria Elizabeth Rocha é ministra do tribunal desde 2007 e foi a primeira mulher eleita para presidir o STM.

Embora o Ministério Público Militar tenha apresentado os pedidos de perda de posto e patente há nove meses, uma série de fatores tem atrasado a análise dos casos. Em junho, o STM estabeleceu um novo rito para esse tipo de julgamento. O procedimento passou a permitir a indicação de provas ao longo do processo, incluindo o compartilhamento de documentos produzidos no STF.

A nova regra também prevê a inclusão de declarações escritas de testemunhas abonatórias, destinadas a atestar a conduta e a reputação dos militares, sem abordar diretamente os fatos que levaram às condenações criminais. A mudança levou as defesas a intensificarem a busca por provas favoráveis aos acusados. Os pedidos de novas providências têm prolongado a fase de instrução dos processos e consequentemente atrasado a conclusão dos julgamentos.

Outro ponto levado em conta pelos ministros da Corte Militar são as discussões no Congresso Nacional sobre indulto ou anistia aos condenados. Se aprovada, a proposta esvazia a discussão no STM. O perdão aos condenados deve ser um tema enfrentado pelos parlamentares no próximo ano, que dará espaço a uma legislatura com bancada de direita ampliada.

O próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já considera liderar um movimento que resulte em um indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro e anistia aos condenados pelo 8 de janeiro em busca de apoio à sua reeleição para o comando da Casa.

Enquanto não há definição na Justiça Militar, os condenados continuam recebendo a remuneração da carreira. No caso de Bolsonaro, o valor decorrente de seu posto é de R$ 9.529,57 líquidos. A maior remuneração é a do general da reserva Augusto Heleno, que recebe R$ 24.991,13 líquidos pelo posto militar. Ministro do Gabinete de Segurança Institucional no governo anterior, Heleno foi condenado a 21 anos de prisão.

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