Investigações da Receita Federal e do Ministério Público do Paraná revelaram um esquema em escala industrial de empresas de fachada, ativo desde 2006, com ramificações em outros estados. Nesta quarta-feira (4), foram deflagradas a segunda fase da Operação Enxágue e a Operação Catéter, que buscam desarticular organizações criminosas responsáveis por sonegação de ICMS e lavagem de dinheiro no comércio de subprodutos de origem animal, como sebo e gordura utilizados por indústrias de biodiesel e curtumes. Foram cumpridos 64 mandados de busca e apreensão em 28 cidades do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de ordens de sequestro e indisponibilidade de bens que chegam a R$ 271 milhões e outras medidas cautelares impostas a nove investigados.
Segundo as apurações, os grupos usavam empresas de fachada, as chamadas “noteiras”, registradas em nome de “laranjas”, para emitir notas fiscais sem correspondência com operações reais, gerar créditos tributários falsos e movimentar recursos ilegais, transferindo todo o passivo tributário a companhias que, na verdade, não existiam. Somente na Operação Catéter foram indicados para sequestro mais de 80 imóveis – entre apartamentos e mansões de alto padrão, lotes em condomínios fechados, fazendas e áreas rurais –, 103 veículos, um jetski, R$ 63,8 milhões em ativos de FIDCs e cerca de R$ 10,9 milhões de quatro securitizadoras. Considerada toda a cadeia envolvida, os créditos tributários estaduais definitivamente constituídos contra as empresas de fachada ultrapassam R$ 300 milhões.



