A próxima eleição para o comando do Senado Federal será decisiva para o futuro do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo análise de cientistas políticas. O Partido Liberal (PL) conquistou 19 das 54 vagas em disputa no pleito de 4 de outubro, ampliando sua bancada de 15 para 28 parlamentares e se tornando a maior legenda da Casa Alta.
Para vencer a presidência do Senado, é necessário obter pelo menos 41 dos 81 votos. A disputa reúne o atual presidente Davi Alcolumbre (União-AP), Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS). Como o voto é secreto, especialistas apontam que a escolha do novo chefe da Casa definirá quais matérias ganharão prioridade.
A cientista política Caroline Maria Vieira destacou três frentes principais: a regulamentação da segurança pública e maioridade penal, a pauta do Judiciário — com possíveis impeachments de ministros e limites a decisões individuais — e questões fiscais. Ela ressaltou que a oposição soma 45 cadeiras, faltando nove votos para os dois terços necessários para condenar um ministro no STF.
Carolina Venuto reforçou que a decisão de pautar ou não o impeachment de ministros do Supremo cabe exclusivamente ao presidente do Senado. Segundo ela, se Davi Alcolumbre permanecer no cargo, o avanço dessas pautas tende a ser dificultado.
A nova configuração das bancadas coloca em xeque a governabilidade do Executivo. Enquanto Venuto acredita que o centro continuará ditando o ritmo das aprovações, Vieira alerta que o PL possui força suficiente para obstruir pautas, já que sozinho ultrapassa um terço do Senado.
