Declaração de Daniella Marques, feita em agosto, voltou a repercutir às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais
Declarações da coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, sobre possíveis ajustes na Previdência e no salário mínimo voltaram a repercutir. As falas foram feitas em 6 de agosto, durante entrevista de mais de duas horas ao podcast Market Makers, na qual o candidato e a ex-presidente da Caixa Econômica Federal apresentaram propostas para a economia e a administração pública.
Ex-presidente da Caixa Econômica Federal e integrante da equipe do ex-ministro Paulo Guedes, Daniella afirmou que a campanha trabalha na elaboração de propostas de redução de gastos que seriam apresentadas a Flávio Bolsonaro. Daniella defendeu um amplo programa de redução de despesas, chamado pela equipe de “tesouraço”.
“Quais são os cortes que vão fazer? A gente vai entregar um cardápio na mão dele, né?”, afirmou a economista, ao mencionar discussões com outros profissionais da área econômica.
Na sequência, Daniella defendeu que o futuro governo, caso Flávio seja eleito, faça cortes nas próprias despesas antes de propor mudanças em outras áreas.
“Agora, se não cortar na carne dessa vez e a gente endereçar alguns problemas que vão se arrastando, você não tem moral como governo para debater ajuste de previdência, de salário mínimo e tal, se você não for cortar na carne”, declarou.
Cortes, estatais e reforma tributária
O plano apresentado pela equipe econômica inclui redução de ministérios, cargos comissionados e despesas administrativas, além da revisão do atual arcabouço fiscal. Daniella afirmou que propostas legislativas, incluindo possíveis emendas à Constituição, já estavam sendo preparadas para negociação com o Congresso após as eleições.
Outra frente envolve as empresas estatais. Durante a entrevista, Flávio defendeu a privatização de atividades públicas quando possível, enquanto Daniella apontou a necessidade de reestruturar empresas deficitárias antes de uma eventual venda. Os Correios foram citados como exemplo.
O candidato também prometeu rever pontos da reforma tributária aprovada pelo Congresso. Flávio afirmou ter votado contra a proposta por considerar excessivo o número de exceções e argumentou que a nova estrutura poderia elevar a carga tributária de determinados setores.
A equipe econômica também apresentou a intenção de criar um programa de renegociação de dívidas e recuperação da capacidade financeira das famílias, com participação de bancos públicos e utilização de ativos da União. Em agosto, Daniella afirmou que a iniciativa poderia alcançar mais de 100 milhões de pessoas, mas não apresentou o desenho completo do programa.
Flávio comentou Banco Master e atuação de Eduardo nos EUA
A entrevista também abordou a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, investigado por suspeitas de irregularidades financeiras.
Questionado pelos apresentadores, Flávio afirmou que seu contato com o banqueiro ocorreu exclusivamente por causa da busca de investimentos para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
“A relação que eu tive com ele foi simplesmente por causa do filme”, declarou. O candidato negou irregularidades e sustentou que o aporte financeiro tinha finalidade comercial.
Em outro momento, Flávio saiu em defesa do irmão Eduardo Bolsonaro, ao ser questionado sobre sua atuação nos Estados Unidos e a imposição de tarifas comerciais a produtos brasileiros pelo governo norte-americano.
“Eduardo nunca pediu tarifação de nada”, afirmou o senador, atribuindo a responsabilidade pelo conflito comercial à condução das relações internacionais pelo governo Lula. A declaração expressa a versão do candidato sobre um episódio que também é objeto de controvérsias políticas e investigações judiciais.
Discussão sobre benefícios sociais ganhou novos desdobramentos
Em outubro, a discussão sobre os cortes ganhou novos elementos. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, integrantes da equipe econômica estudaram medidas que poderiam limitar os reajustes do INSS e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) à inflação, mesmo em períodos de aumento real do salário mínimo. Também foram consideradas alterações nos mecanismos de correção dos gastos mínimos com saúde e educação.
A campanha de Flávio Bolsonaro, no entanto, afirmou que essas possibilidades não representam propostas oficiais do candidato. As medidas não foram detalhadas como compromissos no plano de governo apresentado à Justiça Eleitoral.



