A nova atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero, elaborada pelo O bservatório da Mulher contra a Violência (O MV) do Senado Federal, revela que 29 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses, número que representa uma lacuna crítica entre a vivência real dos casos e o reconhecimento oficial por parte das autoridades competentes.
Contextualização Institucional e Evidências da Pesquisa
O levantamento do O MV, baseado em pesquisa amostral representativa, constatou que apenas 4% das entrevistadas denunciam espontaneamente o sofrimento de violência doméstica, enquanto 33% reconhecem ter vivenciado situações de abuso ao serem questionadas sobre circunstâncias específicas – indicativo de subnotificação crônica. Dados da pesquisa indicam que 70% dos agressores são maridos, companheiros ou namorados, um aumento significativo em relação ao ano anterior, e 71% dos episódios ocorreram diante de crianças, sendo a maioria delas filhas das vítimas.
Esses números reforçam um quadro histórico de silêncio e invisibilidade institucional, já que 93,6% das vítimas nunca buscaram auxílio em delegacias, Ligue 180 ou o 190, evidenciando falhas estruturais na rede de proteção e na conscientização sobre os direitos das mulheres.
29 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses, enquanto apenas 4% reconhecem espontaneamente o abuso.
Repercussão Imediata e Desafios Futuro
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), destacou a relevância dos dados no aniversário de 20 anos da Lei Maria da Penha e das ações do Agosto Lilás, ressaltando que a visibilidade ampliada do fenômeno é essencial para enfrentar o silêncio institucional.
As autoridades e especialistas apontam que a redução gradual dos índices de denúncia espontânea exige campanhas de sensibilização direcionadas e fortalecimento dos mecanismos de proteção à mulher trans e às crianças testemunhas, cujo papel na exposição dos casos ainda é subutilizado.



