Cientistas encontraram células sanguíneas e a molécula heme B no fóssil do Aratasaurus museunacionali, um dinossauro terópode que viveu há aproximadamente 115 milhões de anos na região que hoje corresponde à Chapada do Araripe. O sítio arqueológico da Formação Romualdo está situado na tríplice divisa entre Pernambuco, Ceará e Piauí.
O estudo, liderado pela professora australiana Kliti Grice, da Universidade Curtin, contou com a participação de quatro pesquisadores brasileiros das Universidades Regionais do Cariri e Federal do Rio de Janeiro/Museu Nacional. A publicação ocorreu na revista National Academy of Sciences nesta segunda-feira (2).
A detecção das biomoléculas foi realizada por meio do isolamento molecular de extratos orgânicos do tecido fóssil, comparando padrões de retenção, espectros de absorção UV-Vis e espectros de massa com referências modernas autênticas. Após essa etapa, os cientistas aplicaram técnicas não destrutivas em lâminas delgadas para mapear a microanatomia e verificar se as moléculas são endógenas, descartando contaminações recentes ou artefatos minerais.
As análises revelaram que os glóbulos vermelhos do Aratasaurus são quase esféricos e maiores que os das aves modernas, medindo em média 22,97 micrômetros de comprimento por 19,54 micrômetros de largura. Segundo os autores, essa diferença está relacionada ao fato de que o dinossauro não descendia de ancestrais voadores, enquanto as aves passaram por um processo de miniaturização corporal que reduziu o tamanho de suas células para otimizar o transporte de oxigênio.
A professora Kliti Grice ressalta que essas descobertas desafiam antigas suposições de que certas biomoléculas, como a hemoglobina, não podem sobreviver em tempos geológicos extensos. Os autores apontam que a análise de biomoléculas derivadas do sangue em fósseis pode fornecer informações sobre a fisiologia e a biologia evolutiva da vida antiga.



