Embora cause medo em algumas pessoas, o urubu remove carcaças e matéria orgânica do solo e da água, evitando contaminações e neutralizando bactérias perigosas no ambiente. O veterinário João Paulo Lacerda explica que o estômago da ave possui um suco gástrico capaz de destruir patógenos, como o botulismo, atuando como agente natural de limpeza. A presença de grandes grupos em áreas urbanas sinaliza o acúmulo inadequado de resíduos sólidos e falhas no saneamento básico da cidade.
O consumo de carcaças praticado pelo urubu acelera a decomposição de materiais que poderiam permanecer expostos por dias, reduzindo a proliferação de vetores e microrganismos. O sistema digestivo altamente adaptado permite consumir matérias em decomposição sem adoecer, protegendo a saúde da ave durante a alimentação. As aves não atacam pessoas ou animais domésticos saudáveis, apresentando apenas comportamento oportunista em relação a indivíduos debilitados ou recém-nascidos incapazes de se defender.
Por ser uma ave nativa da fauna silvestre brasileira, o urubu é protegido pela Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal nº 9.605/1998). Tentar envenenar, caçar, ferir ou matar o animal configura crime com pena de detenção e multa. Para afastar a espécie das residências sem agredi-la, a solução exige a vedação correta de sacos de lixo e coleta regular.
