Eventos climáticos extremos, incluindo tornados, ventos acima de 100 km/h, chuvas intensas, granizo e alagamentos, atingiram municípios dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul nos primeiros dias de novembro, deixando um rastro de destruição, mortes e feridos. Os episódios também danificaram milhares de imóveis e prejudicaram o funcionamento de serviços públicos em diversas localidades da Região Sul.
De acordo com o meteorologista Marcelo Enrique Seluchi, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a combinação entre a Cordilheira dos Andes e o transporte de umidade da Amazônia cria condições propícias para tempestades severas na Bacia do Prata. Ele explica que o encontro do ar quente e úmido com frentes frias favorece a formação de chuvas intensas, granizo e vendavais, especialmente nas estações da primavera e outono.
Seluchi ressalta que o fenômeno El Niño contribui para intensificar as chuvas ao alterar a circulação atmosférica e aumentar a frequência das frentes frias sobre a Região Sul. Além disso, as mudanças climáticas elevam a capacidade da atmosfera de armazenar vapor d’água, o que potencializa precipitações mais fortes em países tropicais como o Brasil.
O especialista alerta que nem todo evento com ventos intensos deve ser classificado como tornado, pois fenômenos como microexplosões atmosféricas e supercélulas podem causar danos semelhantes. Apesar da dificuldade em afirmar um aumento histórico na frequência desses eventos, ele considera possível que as mudanças climáticas estejam tornando a região mais suscetível a tempestades violentas.
