O comportamento de algumas espécies de cuco é comparado ao abandono parental entre humanos, pois a fêmea pode retirar ou danificar um ovo do ninho de outra ave para colocar o seu. Assim, a ave hospedeira acaba incubando o ovo intruso e alimentando o filhote após o nascimento, sem saber que não é sua própria prole.
A bióloga Nathália Alves, do Oceanic Aquarium, em Santa Catarina, explica que essa estratégia, chamada parasitismo de ninhada, aumenta as chances de sucesso reprodutivo de algumas espécies. Em certos casos, o filhote do cuco ainda empurra os outros ovos ou crias originais para fora do ninho para garantir mais alimento e sobreviver.
Nem todos os cucos adotam esse comportamento; a maioria constrói seus próprios ninhos, choca os ovos e cria os filhotes como a maior parte das aves. O biólogo Rafael Moreira, do Parque Três Pescadores, em São Paulo, destaca que essa diversidade mostra como diferentes estratégias reprodutivas surgem e persistem entre espécies aparentadas.
A professora de ciências animais Dara Evely, da Universidade Católica de Brasília, afirma que, biologicamente, pode-se usar o termo 'pais ausentes', mas esses animais investem esforço e planejamento para localizar outros ninhos e depositar os ovos. Segundo ela, a fêmea produz ovos com características que favorecem a aceitação pelo hospedeiro, classificando a ação como cuidado indireto desenvolvido ao longo de muitas gerações.
O parasitismo de ninhada pode diminuir significativamente o sucesso reprodutivo das aves hospedeiras, que investem tempo e energia incubando e alimentando um filhote que não é seu. No entanto, Moreira ressalta que algumas aves possuem defesa mais desenvolvida e conseguem reconhecer e rejeitar ovos diferentes em seus ninhos.



