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Programa Família Acolhedora transforma experiência de infância em abrigo em cuidado para outras crianças no DF

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 03:15
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Programa Família Acolhedora transforma experiência de infância em abrigo em cuidado para outras crianças no DF
Fatos Rápidos da Notícia
  • Sara Carvalho Lima passou parte da infância em abrigos e hoje acolhe crianças pelo programa Família Acolhedora
  • O programa atendeu 241 crianças entre 2022 e outubro de 2026 no Distrito Federal
  • Entre os desfechos informados houve 95 reintegrações familiares contra 77 adoções
Resumo Editorial

Sara Carvalho Lima, que passou parte da infância em abrigos, acolhe crianças afastadas dos responsáveis por maus-tratos ou abandono por meio do programa Família Acolhedora, executado pelo Grupo Aconchego em parceria com a Sedes-DF. A iniciativa oferece ambiente familiar temporário enquanto a Justiça decide sobre reintegração familiar ou adoção, e atualmente busca novas famílias voluntárias no Distrito Federal.

Sara Carvalho Lima, 37 anos, sabe desde a infância o que significa precisar de um lar fora da família de origem. Por dificuldades financeiras dos seus responsáveis, ela ficou sob a tutela do Estado e passou parte da vida em abrigos. Há três anos, recebe em casa, por meio do programa Família Acolhedora, crianças afastadas dos responsáveis por situações de maus-tratos, abandono e negligência.

Executada pelo Grupo Aconchego, uma Organização da Sociedade Civil sem fins lucrativos, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF), a iniciativa oferece uma alternativa de cuidado enquanto a Justiça avalia se a criança poderá voltar à família de origem ou ser encaminhada para adoção.

“No abrigo, a convivência era coletiva e os cuidados eram divididos entre os profissionais. No acolhimento familiar, a criança passa a fazer parte da rotina de uma casa, convive com uma família e participa do dia a dia daquele lar. É especial poder proporcionar essa experiência, mesmo que temporário, a outras crianças que talvez não tenham vivido isso antes”, conta Sara.

A experiência de acolher crianças também mudou a forma como Sara e o companheiro, Divanildo da Silva Lima, de 42 anos, enxergam os responsáveis que não conseguem cuidar dos próprios filhos. Para o casal, reconhecer essa dificuldade e buscar uma alternativa segura para a criança é uma atitude que não deve ser recebida com julgamento.

“Durante essa experiência, a gente aprendeu a julgar menos os genitores. A entrega voluntária também pode ser um ato de amor. É quando eles reconhecem que não têm condições de cuidar da criança e buscam um caminho para que ela cresça em um ambiente seguro, com cuidado e afeto. Não a deixam em qualquer lugar, em uma esquina ou em um beco. Fazem uma entrega consciente em um local seguro”, acrescenta.

Essa percepção ganha ainda mais importância diante de situações em que a rede de proteção não consegue evitar tragédias. Uma bebê de 1 ano e 3 meses morreu no dia 25 de outubro, após suspeita de maus-tratos. Antes da morte, o Conselho Tutelar havia solicitado à Justiça, com base na Lei Henry Borel (Lei nº 14.344/2022), o afastamento da menina da mãe, do padrasto e da babá. O pedido foi negado.

Entre 2022 e outubro de 2026, o programa atendeu 241 crianças e adolescentes no Distrito Federal. A maioria dos casos com desfecho informado terminou com a volta à família de origem: foram 95 reintegrações contra 77 adoções. Isso significa que 55,2% corresponderam ao retorno aos familiares e 44,8% à adoção.

Assistente social do programa, Leidiane dos Santos Costa explica que o retorno à família de origem é prioridade e que antes de qualquer encaminhamento para adoção a equipe procura alternativas para que os pais possam voltar a cuidar dos filhos ou para que outros parentes assumam essa responsabilidade.

“Para isso avaliamos como os pais podem recuperar as condições de cuidar dos filhos inclusive com acesso a tratamentos em casos de dependência química. Também buscamos parentes como avós e tios que possam assumir os cuidados. Só quando essas alternativas se esgotam é que se considera a adoção. Até lá as crianças permanecem com famílias acolhedoras”, explica Leidiane.

O tempo de acolhimento varia conforme a situação de cada criança. Segundo Leidiane há casos emergenciais em que a criança precisa ser afastada imediatamente do convívio familiar diante de uma situação de risco e outros em que o acolhimento ocorre após determinação judicial.

Durante esse período o vínculo afetivo entre a criança e os acolhedores é inevitável. Sara tem dois filhos de 6 e 14 anos que também participam da rotina com as crianças recebidas em casa. Para lidar com a despedida as famílias passam por uma preparação que ajuda a compreender o caráter temporário do acolhimento e a importância de respeitar o momento de transição.

“Uma das partes mais importantes do acolhimento é entender que em algum momento haverá uma despedida. Mas isso não significa que a história da criança naquele período deva ser esquecida. Nesse tempo ela pode dar os primeiros passos aprender a ler ou no caso de um adolescente conquistar mais autonomia e viver experiências importantes que as famílias reúnem em um álbum de lembranças para que não se percam”, explica Leidiane.

Mesmo depois da despedida o vínculo não precisa necessariamente terminar. A assistente social explica que as famílias acolhedoras podem continuar em contato com as crianças desde que os responsáveis que passam a cuidar delas concordem.

Para garantir o acompanhamento durante todo o período o programa conta com uma equipe formada por profissionais de diferentes áreas como psicólogos assistentes sociais motorista e funcionários dos setores financeiro e administrativo. Além de orientar os cuidadores os profissionais acompanham as necessidades das crianças e das famílias de origem.

O Grupo Aconchego busca ampliar o número de famílias voluntárias habilitadas para receber crianças e adolescentes de 0 a 18 anos. A escolha da faixa etária depende da disponibilidade e da rotina de cada família quem tem pouco tempo para cuidar de um bebê por exemplo pode ter mais condições de receber um adolescente que costuma ter maior autonomia outra possibilidade é integrar a criança à rotina da casa junto aos filhos que já vivem com os acolhedores.

“Depende da rotina de cada família para cuidar de um bebê por exemplo é preciso ter mais tempo disponível e dedicação já acolher um adolescente é outra vivência é preciso acompanhar essa fase de descobertas aconselhar e orientar sobre assuntos como sexualidade e educação financeira se a família não tem disponibilidade para cuidar de um bebê pode ser melhor receber um adolescente que tem mais autonomia ou integrar a criança à rotina dos próprios filhos” finaliza Leidiane.

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