Na madrugada de sábado, 22 de agosto, o delegado Erivan Vera Cruz, titular da Delegacia Policial de Jaguariúna e responsável pelo plantão da Delegacia de Mogi-Guaçu, tornou-se alvo direto da investigação do Ministério Público de São Paulo após recusar-se a comparecer às dependências institucionais onde exerce suas funções, atrasando por quatro horas o início oficial do expediente das 8h e atrasando a apresentação de ocorrência que já havia sido registrada pela Polícia Militar. O fato ocorreu após equipes da PM prenderem um suspeito de furto em uma instituição de ensino em Itapira e aguardarem sua chegada ao distrito policial, que só ocorreu às 8h, contrariando o horário previsto para início do plantão e gerando forte desestímulo por parte dos agentes envolvidos. Confrontado, o delegado alegou estar em casa e resistiu à fiscalização ao recusar-se a submeter-se ao teste do bafômetro e ao exame de sangue no Instituto Médico Legal, sendo posteriormente autuado por infração administrativa.
Investigação Disciplinar e Desempenho na Atuação Delegacional
O Ministério Público Federal abriu inquérito administrativo no dia 22 de agosto, após constatação de que o delegado Erivan Vera Cruz, responsável por plantões na Delegacia de Mogi-Guaçu, atrasou sistematicamente a apresentação de ocorrências já registradas pela Polícia Militar, como o caso do suspeito preso em Itapira às 7h40, cuja formalização só ocorreu às 8h. A distância entre os municípios envolvidos é de 45 quilômetros, exigindo deslocamento com sobrecarga logística para os agentes ordinários que compunham o plantão. Fontes da Corregedoria indicam que essa prática tem se repetido por anos, prejudicando a celeridade processual em crimes variados, desde furto simples até homicídios em andamento.
A investigação do MPSP foi formalmente comunicada à Corregedoria da Polícia Civil e ao Departamento de Polícia Judiciária do Interior 2 (Deinter-2), com sede em Campinas, após constatação de condutas que violam o dever funcional previsto no Regulamento Interno da Instituição. O episódio gerou repercussão imediata entre os policiais militares presentes na cena, que registraram forte odor etílico no delegado ao chegar à delegacia às 8h. A ausência reiterada do magistrado público — além da negativa em realizar teste alcoolemy ou laudo pericial — configura possível infração disciplinar e abuso de poder funcional.
O delegado Erivan Vera Cruz atrasou a apresentação da ocorrência policial por quatro horas após recusar-se a comparecer ao distrito policial onde exerce suas funções.
Repercussão Jurídica e Medidas Corretivas
O Ministério Público Sports São Paulo (MPSP) notificou formalmente a Corregedoria da Polícia Civil e ao Deinter-2 para apuração disciplinar rigorosa, com prazo estipulado para apresentação de relatório preliminar sobre condutas do delegado nos próximos dez dias úteis. O promotor Rodrigo Lopes, responsável pelo caso, destacou que 'a ausência injustificada do titular de delegacia compromete a cadeia natural da justiça criminal', reforçando a necessidade de responsabilização imediata. A Polícia Civil já acionou os órgãos competentes para avaliar sanções administrativas previstas no Estatuto da Função Pública e no Regimento Interno da instituição.
A expectativa é que o processo disciplinar conduzido pela Corregedoria gere punições que variam desde advertência formal até suspensão temporária das funções públicas do delegado Erivan Vera Cruz. Caso confirmada a prática reiterada de descumprimento de deveres funcionais, o caso poderá culminar na aplicação de multa administrativa e até na cassação do cargo com base em atos incompatíveis com os princípios éticos da instituição.



