O Senado do Paraguai retoma nesta sexta-feira (6/11) o julgamento do impeachment do presidente Santiago Peña, após a Câmara dos Deputados aprovar a abertura do processo. A decisão legislativa ocorreu mesmo com o presidente tendo anunciado renúncia em vídeo nas redes sociais, na qual declarou que “nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”.
As denúncias contra Peña incluem conflito de interesses por vínculos com o grupo que controlava o Ueno Bank, do qual foi acionista até março de 2025, e suposta omissão na fiscalização pelo Banco Central do Paraguai (BCP). O presidente anterior do BCP, Carlos Carvallo, dirigiu o banco digital até 2023. O Ueno Bank administrava quase R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, incluindo Previdência.
Há ainda acusações de impacto na confiança no sistema financeiro, suposta intervenção indevida no IPS — órgão que administra aposentadorias e saúde dos trabalhadores — e indícios de enriquecimento ilícito. O Banco Central decidiu pela resolução do Ueno Bank na terça-feira (3/11) devido à deterioração grave no índice de solvência da instituição.
O banco possui 2,9 milhões de clientes, equivalente a cerca de 40% da população paraguaia. Com a resolução, milhares de pessoas foram às ruas protestar pedindo a saída de Peña. Na quarta-feira (4/11), deputados apresentaram pedido de impeachment e um dia depois o presidente anunciou a renúncia, que não foi aceita pela Câmara.
Na quinta-feira (5/11), o Senado ouviu sete deputados que apresentaram as denúncias e iniciou o julgamento. Nesta sexta-feira (6/11), Peña está convocado para apresentar sua defesa; após isso, os parlamentares deverão analisar provas, ouvir argumentos das partes e realizar votação nominal.



