A gestão de Donald Trump sofreu ao menos três derrotas nas políticas interna e externa nas últimas duas semanas, ameaçando a estratégia de retomar a influência dos Estados Unidos na América Latina. Internamente, o Partido Republicano perdeu o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato realizadas na última terça-feira (3/11), com o Partido Democrata assegurando 54 cadeiras no Senado e 247 assentos na Câmara dos Representantes. Esse cenário reduz a margem do presidente para avançar em sua agenda política e se proteger de investigações da oposição. Na América Latina, dois episódios marcaram o revés para a Casa Branca. No Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, ocorrido em 25 de outubro. A vitória do petista afastou a possibilidade de expansão da influência norte-americana no país, especialmente porque interlocutores da Casa Branca viam o candidato do PL como um ponto de convergência política com Trump. O secretário de Estado Marco Rubio havia citado o Brasil como uma “exceção de países aliados dos EUA no hemisfério”, ao lado de Nicarágua, Venezuela, Cuba e Colômbia. Após a derrota, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos e é investigado pela Justiça brasileira por suposta corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Outro revés ocorreu no Paraguai com a renúncia do presidente Santiago Peña, um aliado do republicano na região que estabeleceu uma linha direta com a Casa Branca. A liderança paraguaia ruiu em meio a um escândalo financeiro envolvendo o banco Ueno, considerado insolvente pelo Banco Central do Paraguai (BCP). Peña foi alvo de um pedido de impeachment após o caso e decidiu renunciar ao cargo antes que o processo avançasse. Agora cabe ao Congresso do país decidir se aceita ou não a renúncia formal apresentada pelo legislativo.



