Santiago Peña anunciou sua renúncia à presidência do Paraguai na quinta-feira (5/11), mas a votação do pedido foi suspensa no Congresso por falta de quórum, com 40 parlamentares presentes contra os 41 necessários. Ele permanece no cargo enquanto o impeachment aprovado por 78 votos na Câmara aguarda análise do Senado.
A crise teve origem na intervenção do Banco Central paraguaio no Ueno Bank na segunda-feira (2/11), após o banco digital não cumprir requisitos mínimos de solvência, deixando cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas. Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador da instituição, até março de 2025.
Efraín Alegre, que perdeu para Peña em 2023 — quando o atual presidente obteve 42,74% dos votos contra 27,48% do opositor —, acredita que a renúncia não provocará novas eleições, mas servirá de caldo político para a disputa de 2028. Segundo Alegre, a medida é uma forma de evitar o processo penal porque, com a renúncia, Peña manteria a imunidade.
O opositor responsabiliza tanto Peña quanto o vice-presidente Pedro Alliana pela crise, afirmando que não se deve esquecer que o presidente fazia parte do grupo econômico envolvido. Alegou ainda que o Banco Central e a Superintendência de Bancos modificaram normas para habilitar o banco a obter recursos públicos.
Alegre destacou que o Ueno Bank era uma financeira quando Peña assumiu a presidência e se tornou banco após quatro meses, passando a receber quase 900 milhões de dólares do setor público e mais 2 bilhões do setor privado. Para ele, “ele não quer ir preso e não quer devolver o dinheiro”, reproduzindo uma declaração feita ao Metrópoles.
A crise impactou fortemente cidadãos vulneráveis, com dois de cada três paraguaios tendo conta no Ueno Bank. Alegre apontou que os fundos de garantia cobrem apenas parte dos valores, enquanto quase 1 bilhão de dólares em recursos públicos não estão cobertos, afetando especialmente o Instituto de Previdência Social.
Sobre a possibilidade de novas eleições, Alegre afirmou que a Constituição paraguaia possui mecanismos de substituição e que falta pouco para as eleições de 2028. Ele defende um processo constitucional de sucessão com controle cidadão e responsabilização dos envolvidos.



