Na sequência de críticas geradas por declarações sobre a substituição de servidores públicos por inteligência artificial, a economista Daniella Marques, coordenadora da área econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), reiterou nesta segunda-feira (19) sua proposta de reduzir gradualmente o número de funcionários do Estado por meio da não realização de concursos para cargos deixados por aposentadorias, transferindo suas atribuições a sistemas automatizados, sem especificar quais carreiras seriam impactadas nem como garantiriam a continuidade dos serviços públicos.
Contexto da Proposta e Histórico das Declarações
A proposta foi inicialmente ventilada em entrevista ao podcast G4, em 30 de setembro, quando Daniella Marques questionou a necessidade de abrir novos concursos públicos para preencher vagas deixadas por aposentadorias, sugerindo que tais posições pudessem ser preenchidas progressivamente por inteligência artificial, visando redução de despesas e maior eficiência administrativa. Durante o programa Pânico, da, em 19 de outubro, ela reforçou a ideia, afirmando que 'substituir e fazer outro concurso pra gente pagar?' seria menos viável do que 'ir substituindo por inteligência artificial no tempo', destacando que a transição poderia ocorrer ao longo de cinco a dez anos, conforme exposto previamente em agosto no mesmo programa e no 25º Fórum Empresarial do Grupo Lide.
Nos últimos meses, a discussão ganhou visibilidade após manifestações do funcionalismo, especialmente com o posicionamento do Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no Estado do Rio de Janeiro (Sisejufe), que alertou para os riscos éticos e operacionais da substituição abrupta de profissionais por tecnologia automatizada, sem previsão de reposição ou mecanismos de supervisão adequados.
A proposta prevê redução gradual do quadro de servidores públicos por meio da não reposição de vagas deixadas por aposentadorias e substituição por inteligência artificial.
Repercussão Jurídica e Desafios O peracionais
O Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no Estado do Rio de Janeiro (Sisejufe) manifestou preocupação com os impactos da proposta na qualidade dos serviços públicos e na estabilidade do emprego dos servidores, ressaltando que a substituição de profissionais por sistemas automatizados pode comprometer a capacidade de resposta em situações que exigem julgamento individualizado e conhecimento contextual, além de gerar insegurança jurídica sobre a validade de decisões automatizadas sem supervisão humana efetiva.
Daniella Marques contestou as alegações de distorção das suas palavras, afirmando que a proposta não prevê a substituição total das carreiras, mas sim uma avaliação técnica das atividades administrativas e operacionais passíveis de automação, com foco em otimização orçamentária e transparência na aplicação de recursos públicos, embora tenha evitado detalhar quais cargos seriam afetados ou como seria garantido o direito à estabilidade dos servidores em face da mudança.



