O relatório de acompanhamento da IFI (Instituição Fiscal Independente), vinculada ao Senado Federal, divulgado na quinta-feira (17) revela um cenário de risco fiscal para 2027, com projeção de déficit primário efetivo de R$ 86,1 bilhões, equivalente a 0,6% do PIB, em contraste com o superávit primário efetivo de R$ 18,6 bilhões estimado pelo governo federal para o mesmo exercício.
Contexto Institucional e Discrepâncias Projetivas nas Contas Públicas
A Instituição Fiscal Independente apurou que, apesar da estratégia de revisão de gastos adotada pela equipe econômica, os parâmetros macroeconômicos adotados no O rçamento de 2027 apresentam divergências significativas em relação às previsões consolidadas da IFI. O órgão aponta risco real de descumprimento da meta fiscal prevista para o próximo ano, já que a projeção de superávit primário do governo, de R$ 18,6 bilhões, está distante em R$ 104,8 bilhões da análise feita pela entidade independente. A diferença entre as projeções evidencia a necessidade urgente de ajustes estruturais nos gastos discricionários para evitar desvio da trajetória fiscal prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal.
Além das disparidades nas projeções fiscais totais, a IFI identificou inconsistências em variáveis-chave como crescimento do PIB (estimado em 2,5% pelo governo versus 1,8% pela IFI e 1,5% pelo Boletim Focus), inflação (3,6% segundo o Executivo contra 4% e 4,3% projetados por instituições independentes) e despesas com seguridade social, especialmente nos itens BPC, abono salarial e sentenças judiciais.
O descompasso de R$ 104,8 bilhões entre a projeção governamental e a análise independente da IFI evidencia fragilidade na aderência à meta fiscal de superávit primário exigida para 2027.
Repercussão Técnica e Desafios para a Implementação das Medidas Corretivas
O s diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade, destacaram que a diferença entre as projeções é atribuída principalmente aos parâmetros macroeconômicos adotados no modelo orçamentário oficial. A entidade recomenda um contingenciamento de despesas discricionárias da ordem de R$ 35,7 bilhões para garantir que o déficit primário efetivo não ultrapasse os limites estabelecidos pela lei, que exige superávit mínimo de 0,5% do PIB em 2027.
A expectativa é que o Congresso analise as medidas corretivas propostas pela IFI até meados do ano corrente, sob risco de sanções legais automáticas em caso de não cumprimento da meta fiscal. A pressão por ajustes reais nos gastos aumenta à medida que o Executivo mantém postura otimista sobre as receitas tributárias e os ganhos econômicos.



