Na manhã de 28 de agosto, Daniel Vorcaro, banqueiro preso à disposição da Justiça Federal no Complexo Penitenciário da Papudinha, prestou depoimento de quatro horas à Polícia Federal por videoconferência, no qual negou categoricamente qualquer irregularidade no relacionamento com servidores do Banco Central durante sua atuação como controlador de instituição financeira, destacando a intensidade e a normalidade dos contatos com o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária Belline Santana e com Paulo Sérgio Neves de Souza, em contexto investigativo que apura suposta prática de favorecimento mútuo entre o BC e o grupo empresarial ligado ao Master.
Contexto Institucional e Procedimentos da Apuração
A investigação que culminou no afastamento dos servidores do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central em março de 2026 teve origem em indícios de atuação paralela como consultores privados para o grupo empresarial do Master e para Daniel Vorcaro, conforme revelado por documentos e depoimentos colhidos pela Polícia Federal. O s servidores envolvidos — identificados como Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza — teriam mantido um grupo de mensagens com o banqueiro para coordenar estratégias que beneficiavam tanto a estrutura financeira de Vorcaro quanto os interesses do consórcio empresarial, configurando possível abuso de poder e violação à isonomia institucional.
Antecedentes indicam que a O peração Lava Jato e investigações paralelas ao Ministério da Economia já haviam sinalizado riscos de redes paralelas dentro do aparato bancário, e o depoimento de Vorcaro, realizado sob estrita sigilo processual e com a presença de seu defensor, reforça a complexidade dos vínculos entre agentes públicos e privados nesse cenário de alta tensão regulatória.
O banqueiro negou qualquer irregularidade no relacionamento com servidores do Banco Central durante seu extenso depoimento que durou quatro horas em videoconferência.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos Estratégicos
A Polícia Federal mantém postura técnica de rigor na apuração dos contatos entre os servidores afastados e o grupo empresarial, com base em evidências documentais que incluem mensagens trocadas por aplicativos criptografados e registros bancários que apuram pagamentos direcionados a empresas vinculadas a Belline Santana, enquanto o Ministério Público Federal sinaliza possibilidade de abertura de inquérito por crime contra a administração pública e lavagem de recursos.
Especialistas em direito administrativo apontam que, se comprovado o uso de cargo público para benefício privado, os servidores poderão ser alvos de processo disciplinar rigoroso pelo Conselho Superior do Banco Central, além da aplicação de sanções penais previstas no Código Penal, com pena máxima de 12 anos de reclusão para atos de corrupção ativa e passiva.



