Flávio Bolsonaro recuou, nesta segunda-feira (24), da promessa pública de apresentar pessoalmente o contrato do filme "Dark Horse" e declarou que a responsabilidade pela prestação de contas sobre o repasse de R$ 61 milhões feita por Daniel Vorcaro não é de sua, mas de Lula, em pronunciamento ocorrido durante reunião com a diretoria da Fiesp em São Paulo.
Contexto Institucional e Antecedentes da Investigação
A mudança de postura do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), ocorre após intensa pressão da imprensa, especialmente após questionamento da na quinta-feira (20) durante agenda em São Miguel Paulista, onde ele havia afirmado estar "100% disposto" a divulgar o contrato e os recursos envolvidos no projeto cinematográfico. O repasse de R$ 61 milhões, intermediado por Daniel Vorcaro, permanece sob investigação por possíveis irregularidades na destinação dos recursos e na ausência de transparência formal, apesar da alegação do candidato de que tudo já teria sido esclarecido em âmbito investigativo.
Esse desmentimento institucionaliza uma contradição evidente entre o compromisso assumido em julho, em entrevista à, e a nova posição adotada após confrontação direta com a mídia, evidenciando uma postura defensiva que evita o acesso público aos documentos técnicos do projeto, cujo financiamento privado ainda carece de prestação de contas detalhada junto aos órgãos competentes.
O repasse de R$ 61 milhões por Daniel Vorcaro para o filme "Dark Horse" permanece sem prestação de contas por parte de Flávio Bolsonaro, segundo seu próprio desmentimento.
Repercussão Política e Desafios para a Transparência
A reação de Flávio Bolsonaro contrasta com o discurso anterior de total abertura e coloca o peso da responsabilidade fiscal sobre o presidente Lula, mesmo sem evidências documentais que vinculem o governo à operação financeira do filme. Durante a reunião com a diretoria da Fiesp, ele defendeu maior segurança jurídica e redução tributária como pilares para atrair investimentos privados, sem abordar diretamente as críticas ao caso Dark Horse.
Especialistas em transparência orçamentária apontam que a ausência de divulgação formal de contratos e comprovantes de repasse fere princípios básicos de accountability, especialmente em projetos com impacto cultural e uso de recursos privados que envolvem figuras públicas em ano eleitoral.



