Nos bastidores da crise institucional desdobrada no Supremo Tribunal Federal e na Polícia Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulou intensamente a reação do governo à decisão do ministro André Mendonça, que afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada, numa operação que mobilizou ministros, assessores jurídicos e mobilizou reuniões até a madrugada de quarta-feira. A intervenção presidencial, coordenada com Wellington César, ministro da Justiça, e Jorge Messias, AGU, culminou na suspensão da medida pelo presidente do STF Edson Fachin, que restaurou os profissionais aos cargos e retirou Alexandre de Moraes da relatoria da investigação das Fake News.
Contexto Institucional e Articulação Governamental
A crise teve origem na decisão de Mendonça na manhã de terça-feira (8), após tentativas frustradas do governo de reduzir o atrito entre o relator do caso Master e a cúpula da Polícia Federal, orientado por Lula desde a semana anterior.
Nos dois dias subsequentes, Lula coordenou conversas com Edson Fachin, participou de reuniões interministeriais até a madrugada e mobilizou o ministro da Justiça e o AGU para contestar a medida, enquanto Andrei Rodrigues buscou apoio jurídico privado junto ao ministro Flávio Dino.
Quatro conversas entre Lula e Edson Fachin até a madrugada de quarta-feira definiram a reversão da decisão que afastou dois diretores da Polícia Federal.
Repercussão Jurídica e Estratégia de Defesa
A AGU ingressou com recurso contra a decisão de Mendonça no mesmo dia, enquanto Andrei Rodrigues contratou advogado particular e recorreu ao ministro Flávio Dino para contestar acusações relacionadas ao financiamento do filme "Dark Horse" por recursos de emendas parlamentares.
Fachin suspendeu as decisões de Mendonça e Dino na quarta-feira à tarde, mantendo os dois diretores no cargo, e transferiu a relatoria do inquérito das Fake News de Alexandre de Moraes para a Presidência do STF.



