O Banco Mundial divulgou, em outubro, o relatório "Commodity Markets Outlook", no qual projeta um período de alta nos preços internacionais dos alimentos após uma fase de retração registrada entre 2022 e 2025. As estimativas indicam um acumulado de aproximadamente 18% para os próximos dois anos, sendo 10% em 2026 e mais 7% em 2027.
Entre os fatores que devem sustentar as cotações estão a combinação de conflitos geopolíticos, o aumento dos custos da energia com a alta do barril de petróleo, restrições logísticas e riscos climáticos associados a um El Niño forte. Esses elementos tendem a reduzir a oferta de alguns produtos no mercado global.
No segmento de grãos, a valorização deve ser ainda mais expressiva, com estimativa de alta de 14% em 2026 e mais 9% em 2027, totalizando 23% no período. O trigo se destaca com projeções de avanço de 28% em 2026 e mais 14% em 2027, devido à redução da produção mundial e dificuldades de exportação em fornecedores-chave.
O relatório também prevê aumentos para milho e soja. Para o milho, são esperadas altas de 10% em 2026 e 5% em 2027. Já a soja deve subir 18% no próximo ano e mais 5% em 2027, mesmo com a perspectiva de safra global recorde, impulsionada pela demanda por biocombustíveis.
O óleo de soja apresenta a projeção mais elevada entre os derivados, com alta estimada de 39% em 2026 e mais 11% em 2027. O óleo de palma também deve acompanhar o movimento, com valorizações projetadas de 14% em 2026 e 10% em 2027.
Em contraponto à alta dos grãos, bebidas como café e cacau devem ter recuo de 24% nos preços neste ano e leve alta de apenas 3% em 2027, resultado da recuperação das safras e maior oferta global desses produtos.
O Banco Mundial alerta que um cenário adverso, envolvendo intensificação dos conflitos no Oriente Médio, interrupções no comércio pelo Mar Negro e um El Niño severo, poderia levar os preços dos alimentos a ficar 12% acima da projeção base para 2027. Nesse caso, o petróleo Brent poderia se manter na média de US$ 105 o barril no próximo ano.
Para os produtores rurais, o relatório projeta aumento médio de 14% nos preços dos fertilizantes em 2026. No setor energético, estima-se alta de 32% nos preços no próximo ano, revertendo três anos consecutivos de queda, com o Brent alcançando média de US$ 91 por barril ante US$ 69 em 2025.



