Os gastos de candidatos nas eleições deste ano somaram R$ 11,03 bilhões, valor R$ 2,36 bilhões menor que o registrado no pleito de 2022, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados até a última sexta-feira (30). O levantamento abrange despesas de campanhas para Presidência da República, Senado Federal, Câmara dos Deputados, deputados estaduais e distritais.
Entre as categorias de maior expressão, as doações financeiras a outros candidatos e partidos representaram cerca de 52% do total, somando R$ 5,72 bilhões. Em seguida aparecem publicidade por materiais impressos (R$ 976 milhões), serviços prestados por terceiros (R$ 795 milhões), atividades de militância e mobilização de rua (R$ 662 milhões) e despesas com pessoal (R$ 538 milhões).
O professor de Direito da UnB Murilo Borsio Bataglia afirma que o destino dos investimentos mudou com o avanço das plataformas digitais, embora todos os gastos devam respeitar regras de financiamento, limites legais e exigências de transparência e prestação de contas à Justiça Eleitoral. Segundo ele, esses recursos buscam alcançar o eleitor e transformar verbas em visibilidade, engajamento e mobilização política.
A advogada e especialista em direito eleitoral Mariana Steinmetz lembra que os candidatos podem declarar os gastos até a primeira quinzena de novembro, o que pode elevar os custos finais. Ela também associa a redução ao fato de 21 estados terem definido a eleição para governador já no primeiro turno, evitando novos gastos com uma segunda etapa. Por lei, as despesas do primeiro turno devem ser declaradas até 3 de novembro e as do segundo turno até 14 do mesmo mês.
O Facebook, da Meta, foi a plataforma digital que mais recebeu recursos eleitorais neste ano: R$ 352 milhões em 28,6 mil contratos relacionados ao impulsionamento digital. O valor representa um salto de 272% frente a 2022, quando as movimentações somaram R$ 129 milhões em cerca de 19,4 mil contratos. Para o cientista político Gustavo Ribeiro, as redes sociais se consolidaram como o principal campo de batalha da disputa presidencial.
O orçamento das campanhas tem entre suas origens o FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha), que totalizou R$ 4,91 bilhões neste pleito. PL (R$ 882 milhões), PT (R$ 615 milhões) e União Brasil (R$ 526 milhões) lideraram os recebimentos por maior representação no Congresso Nacional. Os partidos também receberam R$ 5 bilhões do fundo partidário, divididos entre 30 siglas. Outras fontes incluem repasses de partidos ou outros candidatos (R$ 5,66 bilhões), doações de pessoas físicas (R$ 883 milhões) e doações próprias (R$ 175 milhões).
O cientista político Gustavo Ribeiro ainda lembra que as eleições foram marcadas por denúncias envolvendo a Meta, acusada de tentar interferir no processo eleitoral brasileiro em benefício da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).



