Na transição para a nova era dos pagamentos digitais, os agentes de inteligência artificial emergem como o próximo elo na cadeia transacional, prometendo automatizar completamente a jornada de compra do consumidor, conforme evidenciam investimentos estratégicos das principais bandeiras do setor e estudos de mercado que projetam faturamento global entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões até 2030.
Contexto Institucional e Tecnológico da Nova Cadeia Transacional
A Elo, controlada pelos bancos Banco do Brasil, Bradesco e Caixa Econômica Federal, formalizou recentemente sua parceria com a Decolar para integrar um agente de IA capaz de conduzir integralmente a aquisição de passagens aéreas, desde a busca inicial até a finalização do pagamento, integrando-se ao ecossistema do WhatsApp; esse avanço ocorre num cenário no qual o vice-presidente de tecnologia da Elo, Eduardo Merighi, reconhece que a autonomia total ainda enfrenta barreiras culturais, de confiança e segurança, além dos desafios técnicos inerentes à operação autônoma em ambientes complexos.
A velocidade acelerada da disseminação dessa tecnologia contrasta com o histórico de adoção de inovações anteriores no setor financeiro, como a transição do cartão magnético para o contato por aproximação no celular, que demandou cerca de uma década para alcançar escala global, conforme aponta o diretor digital da Mastercard, Pablo Fourez, que projeta que os prazos para consolidação da IA agêntica ficarão entre os extremos observados nas mudanças anteriores.
O mercado global de comércio por agentes de IA para consumidores deve atingir entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões até 2030, segundo análise da McKinsey & Company.
Repercussão Setorial e Perspectivas Estratégicas
Em resposta ao movimento, a Visa já realizou testes no Brasil em março para transações em tempo real conduzidas por agentes de IA e implementou um programa de certificação para emissores e credenciadores, aproveitando infraestruturas existentes como APIs de tokenização e autenticação biométrica para viabilizar essa nova modalidade sem precisar criar sistemas do zero.
Enquanto isso, a Mastercard mantém postura cautelosa quanto ao cronograma definitivo dessa revolução tecnológica, mas confirma estar preparada tecnologicamente para receber soluções como a parceria com a O penAI anunciada em junho, que inicialmente habilitará o comércio agêntica nos Estados Unidos.
Analista especializado em transformação digital afirma que o Brasil está posicionado como um dos mercados mais promissores para essa nova dinâmica transacional devido ao sucesso prévio do Pix na digitalização dos pagamentos e à maturidade tecnológica já observada no país.



