O esquema criminoso descoberto pela Polícia Federal envolve adolescentes de todo o Brasil em lutas clandestinas financiadas por redes de apostas ilegais, com uma menina de 13 anos sendo utilizada como moeda de troca para saldar dívidas e garantir vantagens competitivas em competições violentas.
Apuração Investigativa e Contexto do Esquema
A O peração Cipher, coordenada pela Polícia Federal em parceria com o Ministério da Justiça, identificou um plano estruturado que mobiliza jovens de estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais em combates físicos organizados por facções criminosas, com a participação de intermediadores que coordenam pagamentos e negociações de apostas em plataformas digitais clandestinas.
Conforme relatório técnico obtido pelo Grupo de Investigação de Crimes Violentos (GICV), os adolescentes são recrutados por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens criptografadas, onde são submetidos a treinamento físico intensivo em locais sem registro legal e submetidos a punições corporais caso desistam das lutas, com a garota de 13 anos citada na entrevista servindo como exemplo de 'prêmio' simbólico oferecido para reforçar a lealdade dos participantes.
Mais de 200 menores foram identificados em competições clandestinas em 17 estados nos últimos 12 meses, segundo laudo pericial da Polícia Federal.
Repercussão Institucional e Desafios Jurídicos
A Procuradoria-Geral da República acionou o Ministério Público Federal para apurar responsabilidades civis e criminais, enquanto o Conselho Tutelar Nacional declarou emergência humanitária diante do aumento de casos de exploração infantil vinculada à violência.
Especialistas em direito penal infantil alertam que o artigo 228 do Estatuto da Criança e do Adolescente prevê pena de reclusão de 2 a 8 anos para quem promove ou facilita a exploração sexual ou violenta de menores, exigindo medidas urgentes de interdição dos canais digitais utilizados no esquema.



