Na Justiça Federal de Santos, o processo que apura o esquema de lavagem de dinheiro por meio de apostas esportivas, carrões e criptoativos, avaliado em R$ 630 milhões, encontra novo marco com a expectativa de um acordo de delação premiada entre um dos investigados e o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime O rganizado (Gaeco) do Ministério Público Federal em São Paulo, previsto para ser formalizado na próxima sexta-feira (4/9).
Contexto Institucional e Histórico da O peração Narco Bet
A O peração Narco Bet, desdobramento da investigação que desmantelou rotas marítimas de tráfico internacional de drogas sob comando do PCC, ampliou sua abrangência para o universo dos jogos de azar digitais e transações financeiras clandestinas, revelando um esquema estruturado que utilizava plataformas de apostas como fachada para dissimular recursos ilícitos.
Segundo o MPF, a delação premiada em negociação com um dos acusados deve fornecer detalhes sobre 14 contas vinculadas a estruturas financeiras ligadas às marcas BRXBET e RICOBET, além de identificar intermediários que operavam com criptoativos e facilitavam a movimentação de valores entre o Brasil e jurisdicionais offshore.
O montante apurado chega a R$ 630 milhões, distribuídos entre apostas online, carrões físicos e ativos digitais vinculados ao esquema criminoso.
Repercussão Jurídica e Estratégias de Negociação
A Procuradoria-Geral da República e o Gaeco de São Paulo já formalizaram denúncia contra 11 suspeitos em novembro de 2025, com ampliação das investigações em junho de 2026 para incluir quatro novos investigados, entre eles Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira, que responde ao processo pela lavagem de dinheiro via empresas de apostas e criptoativos.
A expectativa do acordo premiado reside na possibilidade de que um dos acusados revele a estrutura da quadrilha, expusendo vínculos com agentes públicos e dirigentes partidários do Centrão, o que pode desencadear novas investigações nos níveis estadual e federal.



