O Paraguai enfrenta uma crise econômica e política depois que o Banco Central do país (BCP) determinou o fim das operações do Ueno Bank. A instituição financeira digital foi considerada insolvente em 3 de novembro, o que levou à suspensão de suas atividades e ao início de um procedimento de resolução. O banco atendia mais de três milhões de clientes, representando cerca de 40% da população paraguaia, incluindo brasileiros que utilizavam seus serviços.
O caso atingiu a cúpula do Banco Central, com a renúncia do presidente Carlos Carvallo e, em seguida, dos diretores Carmen Marín e Marco Aurelio González. Carvallo havia presidido o Banco Ueno antes de comandar a autoridade monetária. Além disso, o presidente Santiago Peña foi acionista da Ueno Holding até março de 2025, empresa ligada ao grupo controlador do banco.
O Ministério Público do Paraguai abriu uma investigação criminal sobre a gestão da instituição e pediu a prisão de dois dirigentes. As suspeitas envolvem empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo controlador, que teriam comprometido o patrimônio do banco. Funcionários e clientes foram às ruas protestar na capital, Assunção, e em frente à residência oficial do presidente, exigindo a devolução dos recursos.
Diante da pressão, parlamentares da oposição apresentaram um pedido de julgamento político contra Santiago Peña, semelhante ao impeachment brasileiro, com adesão também de parte da base governista. O presidente anunciou que o Banco Central ressarcirá os clientes afetados por meio do adiantamento da garantia do Fundo de Garantia de Depósitos.
Os pagamentos devem ser feitos a partir desta semana por outras instituições financeiras, com valores que podem chegar a 40 salários mínimos. Para clientes sem conta em outro banco, será aberta uma conta provisória para garantir o recebimento dos valores nos próximos dias.



