O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em processo de montagem do novo governo e sofre pressões de integrantes do seu próprio partido sobre as medidas a serem adotadas na economia. Entre as expectativas para a redistribuição de cargos no quarto mandato, a indicação do novo ministro da Fazenda é a mais aguardada, pois deverá sinalizar qual ajuste será realizado nas contas públicas.
Dentro do PT, há visões conflitantes sobre o caminho a seguir. Uma ala mais jovem defende algum ajuste fiscal, sem aderir integralmente às demandas do mercado financeiro, seguindo um modelo semelhante ao adotado por Antônio Palocci no primeiro governo Lula. Por outro lado, o ex-ministro Guido Mantega lidera uma corrente mais antiga que defende a reedição da chamada nova matriz econômica, baseada em gastos com investimentos sem limitações.
Mantega alerta que atender ao mercado configuraria estelionato eleitoral e poderia levar Lula a um desfecho semelhante ao de Dilma Rousseff, além de culpar o Banco Central pelos problemas econômicos do país. O texto aponta que Lula costuma ouvir mais Mantega do que qualquer outra pessoa e lembra que a nova matriz econômica resultou na maior recessão do Brasil em décadas, quando a dívida pública era 40% menor do que atualmente.



