Na manhã de 11 de setembro, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a divulgação de mensagens privadas entre o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, evidenciando uma série de repasses financeiros de até US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 63 milhões) vinculados à produção do filme Dark Horse, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, com indícios de possível lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Contexto Institucional e Investigação Preliminar
As conversas revelam que o primeiro contato entre os interlocutores ocorreu em dezembro de 2024, mediado pelo marqueteiro Thiago Miranda, com a finalidade de viabilizar reuniões entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro a partir da qual seria estruturado o financiamento do projeto cinematográfico; segundo os registros extraídos do celular do empresário, as negociações se intensificaram ao longo de 2025, culminando em repasses efetuados entre fevereiro e setembro para a Havengate Development Fund LP, fundo norte-americano ligado à offshore Entre Investimentos nas Bahamas.
O s valores movimentados, conforme apuração da Polícia Federal, incluem parcelas de US$ 2 milhões no início do acordo e transferências subsequentes correspondentes aos valores efetivamente enviados ao fundo, totalizando US$ 12.333.335 no decorrer do ano, com indícios de estruturação por meio de intermediários como Altierres Santana e o advogado Paulo Sergio Camin Calixto, responsável pela defesa de Eduardo Bolsonaro.
Mais de US$ 63 milhões foram movimentados por meio de offshore nas Bahamas para a produção do filme Dark Horse, que aborda a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Repercussão Legal e Desdobramentos da Apuração
A Polícia Federal mantém sob investigação os canais utilizados para o repasse dos recursos, com foco na possível configuração de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, tendo identificados vínculos entre os fundos movimentados e figuras ligadas ao círculo próximo ao governo federal.
As autoridades já sinalizaram que eventuais infrações podem ensejar a abertura de inquérito penal formal, com possibilidade de congelamento de bens, multas e responsabilização criminal dos envolvidos, enquanto o Ministério Público analisa os elementos para eventual ação civil pública ou denúncia.



