O novo presidente do Paraguai, Pedro Alliana, determinou a adoção de ações imediatas para ressarcir os poupadores afetados pela crise do Ueno Bank, com prioridade para os clientes de menor poder aquisitivo. Em seu primeiro discurso após assumir o comando do país, Alliana afirmou que os compatriotas que atravessam um momento difícil em consequência do descalabro financeiro serão compensados plenamente e não serão deixados sozinhos. A declaração ocorre em meio à turbulência política provocada pelo colapso da instituição financeira.
Alliana assumiu a presidência após o impeachment de Santiago Peña, aprovado pelo Senado nesta sexta-feira (6/11). Horas depois da destituição, Peña foi detido em casa, por ordem da Procuradoria, e colocado em prisão domiciliar, sob suspeita de envolvimento em irregularidades relacionadas ao Ueno Bank. O ex-presidente havia sido acionista da instituição até março de 2025 e negou irregularidades, afirmando que o caso deveria ser tratado pelas autoridades judiciais.
O Ueno Bank foi colocado sob intervenção do Banco Central do Paraguai em 3 de novembro, depois que a autoridade monetária identificou que o índice de solvência da instituição caiu para menos da metade do mínimo exigido por lei. O banco digital operava com aproximadamente 3 milhões de clientes em um país com cerca de 7 milhões de habitantes. A intervenção deixou correntistas sem acesso imediato a contas e depósitos, provocando manifestações em Assunção e em outras localidades.
O Banco Central iniciou a devolução de valores por meio do Fundo de Garantia de Depósitos. A primeira etapa contempla clientes com até 10 milhões de guaranis depositados, sem dívidas com o banco e que tenham contas em outras instituições financeiras. A legislação prevê cobertura de até 228,3 milhões de guaranis por depositante e instituição.
Além do processo político, o colapso motivou investigações criminais. Oito executivos ligados à instituição foram detidos, enquanto autoridades apuram suspeitas de irregularidades financeiras e responsabilidades pela situação do banco. O Banco Central afirmou que o procedimento de resolução busca proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro, ressaltando que o episódio é específico da instituição e não representa uma crise generalizada no sistema bancário paraguaio.
