Svein Tore Holsether, CEO da Yara International, reiterou que a efetiva transição para uma economia de baixo carbono depende de investimentos financeiramente viáveis e da criação de demanda por produtos com menor emissão de gases de efeito estufa, em pronunciamento dado a jornalistas brasileiros em abril de 2024. O executivo destacou que projetos-piloto podem comprovar a viabilidade tecnológica, mas somente modelos de negócio rentáveis viabilizarão a expansão em escala, sobretudo no setor agrícola, onde a produção de amônia — insumo essencial para fertilizantes nitrogenados — permanece associada a elevadas emissões de carbono.
Contexto Estratégico e Desafios da Descarbonização Agrícola
A avaliação do executivo ocorre após a desistência da Yara de um projeto-piloto de amônia de baixas emissões na Louisiana, nos Estados Unidos, decisão motivada pela avaliação de que o retorno esperado não era suficientemente atrativo para justificar os investimentos necessários; o caso ilustra a tensão entre ambições climáticas e a necessidade de viabilidade econômica nos projetos de descarbonização na indústria de fertilizantes.
Holsether enfatizou que a descarbonização da agricultura exige articulação entre empresas, governos e produtores rurais, com apoio regulatório e incentivos públicos para estimular a demanda por soluções com menor pegada de carbono, além de mecanismos que atribuam custo às emissões, como taxação ou sistemas de mercado.
A empresa tem investido em alternativas sustentáveis, como a unidade industrial inaugurada na Holanda, porém reconhece que o sucesso global dependerá da capacidade dos players da cadeia produtiva — desde fornecedores de fertilizantes e sementes até varejistas e consumidores finais — de alinhar práticas e criar condições econômicas favoráveis à adoção em massa.
A transição verde só será viável quando houver demanda efetiva por produtos com menor emissão e mecanismos regulatórios que tornem os investimentos em tecnologias limpas economicamente atraentes.
Repercussão Setorial e Caminhos para Escala
A desistência do projeto na Louisiana gerou reflexões no setor sobre o equilíbrio entre metas climáticas ambiciosas e a disciplina financeira exigida para aplicar tecnologias emergentes, com representantes do Ministério da Agricultura destacando a necessidade de políticas públicas que reduzam riscos para produtores e empresas ao adotarem inovações de baixo carbono.
Holsether reforçou que agricultores não podem arcar isoladamente com custos adicionais, sugerindo modelos em que empresas alimentícias assumam prêmios por colheitas com menor intensidade carbônica — prática já observada em nichos específicos — e apelidou os governos para atuarem na criação de marcos regulatórios que viabilizem escalonamento.
Especialistas apontam que a falta de incentivos fiscais ou mecanismos claros de precificação do carbono impede que projetos sustentáveis transitem do piloto para produção comercial em larga escala.



