O quarto governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ser marcado por uma mudança na forma como ele se relaciona com o Congresso Nacional, segundo Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice. O especialista avalia que a principal diferença em relação ao terceiro mandato será o envolvimento direto de Lula nas negociações políticas com os parlamentares.
Embora essa postura possa ajudar o governo a avançar sua agenda, Noronha alerta que ela também traz custos elevados e pode gerar desgaste para o presidente. Ao se expor diretamente nas negociações, Lula fica mais vulnerável a derrotas que podem criar uma percepção de fragilidade do governo.
Sinais dessa nova postura já são observados, como a realização de lives para melhorar a popularidade e o convite aos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, para viajarem com ele à COP31. O governo também pretende cobrar maior fidelidade dos partidos da base aliada nas votações legislativas.
No entanto, Noronha pondera que essa cobrança pode não ser suficiente, pois historicamente os partidos não entregam 100% dos votos. Como exemplo, ele cita que o União Brasil, mesmo com três pastas ministeriais no terceiro mandato de Lula, entregou entre 60% e 65% de apoio na Câmara dos Deputados.
O cenário se torna mais desafiador com a composição do novo Congresso, que toma posse a partir de 1º de fevereiro. Com a conquista da maioria na Câmara e no Senado pela direita brasileira nas eleições de 2026, o governo deverá enfrentar maiores dificuldades para atingir seus objetivos legislativos.
