Na contínua disputa pela sucessão estadual do Pará, o ex-governador Helder Barbalho (MDB) mantém-se como o eixo central da dinâmica política, mesmo com a proximidade de duas candidaturas competitivas – Daniel Santos (Podemos) e Hana Ghassan (MDB) –, que, segundo pesquisa Quaest de 29 de agosto, aparecem tecnicamente empatados na estimulada, com 28% e 27% das intenções de voto, respectivamente, dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
Contexto Institucional e Estratégico da Disputa Estadual
A análise dos últimos levantamentos eleitorais revela que a estabilidade relativa entre os dois principais candidatos não reflete ausência de conflito, mas sim uma estratégia deliberada de posicionamento, na qual o foco do embate é redirecionado para o ex-governador Helder Barbalho, figura dominante no cenário político paraense desde 2019. A pesquisa Quaest, contratada pela /TV Liberal e divulgada em 29 de agosto, aponta Daniel Santos com 28% e Hana Ghassan com 27% em cenário estimulado, com diferença de um ponto percentual – valor que permanece dentro da margem de erro de três pontos, indicando equilíbrio técnico. Ao evitar confrontos diretos entre si, os candidatos buscam preservar suas respectivas imagens: Daniel concentra críticas no legado do ex-governador, enquanto Hana enfatiza a continuidade administrativa e a representatividade feminina como pilares de sua candidatura.
Além do embate tático, o cenário reflete uma polarização estrutural: enquanto Daniel se apresenta como alternativa ao grupo que governa o Estado desde 2019, representado por Barbalho e sua base familiar e política, Hana articula sua candidatura à continuidade da gestão atual, beneficiando-se da aprovação residual do governo anterior – registrada em 66% na última pesquisa Quaest em julho – e da ausência de desgaste direto com seu adversário direto.
O equilíbrio técnico entre Daniel Santos (28%) e Hana Ghassan (27%), dentro da margem de erro de três pontos percentuais segundo pesquisa Quaest de 29 de agosto, evidencia estabilidade inédita na corrida pela sucessão do Pará.
Repercussão Política e Desdobramentos Futuros
A estratégia de Daniel em atacar Helder Barbalho visa consolidar sua narrativa de ruptura com o modelo político vigente, ao mesmo tempo em que protege sua imagem ao evitar o reconhecimento explícito de Hana como adversária direta. Essa escolha retórica busca transformar a eleição em um plebiscito sobre a continuidade versus ruptura do modelo barbalhista, mas também mantém viva a associação entre Hana e o governo anterior, potencializando o risco de que parte do eleitorado veja sua candidatura como mero prolongamento da gestão atual.
Hana, por sua vez, constrói sua campanha em torno da continuidade administrativa e da presença feminina na gestão pública, utilizando as entregas do governo como principal trunfo eleitoral. Ao não responder diretamente a Daniel, ela evita dar ao adversário espaço para posicionar-se como opositor frontal, mas corre o risco de diluir sua própria identidade política ao depender excessivamente da herança de Helder Barbalho.



